16 DE SETEMBRO DE 2019

O desmonte das ferrovias mineiras


Carta aos Tempos
05 de julho de 2019


*Mauro Werkema

Em meio ao debate sobre as tragédias de Minas, que as barragens inseguras da Vale e a falência financeira expõem, surge agora a questão das ferrovias. Minas tinha uma malha ferroviária de 8.176 km, a maior do País, transportando cargas e passageiros.  Inicia-se o seu sucateamento a partir de 1972, quando é iniciada a extinção da Rede Ferroviária Nacional, com desaparecimento de seu imenso e estratégico patrimônio ferroviário, em favor das rodovias. O pioneirismo mineiro vinha desde a segunda metade do Século XIX e se deve a Dom Pedro II, entusiasta do transporte ferroviário.  Hoje, quando sentimos a grave falta do transporte ferroviário, com as rodovias superlotadas, o que restou da malha ferroviária mineira transporta minério de ferro, que é 80% da sua carga total. E, em sua totalidade, pertence à Ferrovia Centro Atlântica, da Vale, e à MRS Logística, criada em 1996, da qual a Vale é também acionista.

A Assembleia Legislativa desperta para a questão com uma Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias e reivindica da Vale o cumprimento dos contratos de outorga das concessões que previam o retorno de alguns trechos ferroviários e não o uso exclusivo para o transporte do minério de ferro, interesse maior da empresa. No transporte de passageiros mantém apenas a “Vitória a Minas”, que também transporta minério, e dois trens turísticos, de curto trajeto, um deles de Ouro Preto a Mariana. A Assembleia quer que a Vale, que muito deve a Minas, restabeleça a chamada “Linha Tronco Mineira”, que ligava Belo Horizonte a Ouro Preto e Mariana, passando por Honorário Bicalho, Raposos, Rio Acima, Itabirito, Miguel Burnier, Engenheiro Corrêa e Rodrigo Silva. E alcançava Ponte Nova.

Esta linha, que funcionou até meados da década de 1970, possui claro interesse turístico e inscreve-se na História de Minas e seu imaginário, desde a mudança da capital de Ouro Preto para BH, a partir de 1897. O trecho de Burnier a Ouro Preto foi inaugurado por Dom Pedro II no início de 1889. Seu leito continua íntegro e seu retorno desanuviaria a Br-356, a Rodovia dos Inconfidentes, estreita, montanhosa, congestionada por tráfego pesado e com ameaça de barragens. As estações existem e a Vale já opera as linhas da região, de Timpopeba, em Catas Altas e Mariana, e a Ferrovia do Aço, que transportam minério de ferro. E o pequeno ramal turístico de Ouro Preto.  Cobra-se também a ligação de BH a Inhotim, operada pela MRS, que transportava o minério do Córrego do Feijão para a Vale.

A Assembleia e a Advocacia Geral do Estado já cobraram decisão da Vale e da Agência Nacional de Transporte Terrestres. E ameaça impedir a prorrogação, por mais 30 anos, da concessão da “Vitória Minas”. A Agência Metropolitana possui projeto de retorno da “Linha Mineira” e garante sua sustentabilidade para passageiros e cargas. Seria justo para com Minas.

*Jornalista (mwerkema@uol.com.br)


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