16 DE SETEMBRO DE 2019

Assuntos Pendentes – Terceira parte


Amenidades
12 de julho de 2019


Ela entrou, atravessou com elegância o salão e assentou-se sozinha em uma mesa. Tinha os olhos fixos na pista de dança e um semblante triste.

O baile começou. Caio esperou, atento, se chegava o acompanhante daquela moça que o encantara, e vendo que após a orquestra tocar algumas músicas e vários pares já estarem dançando, ela continuava sozinha, criou coragem e aproximou-se. Cavalheiramente, como era usado naqueles tempos, curvou-se ante ela e perguntou:

- A senhorita me dá a honra desta dança?

O semblante triste transformou-se em um lindo sorriso, e ela aceitou o braço que ele lhe oferecia. Caminharam até a pista e começaram a dançar, sem palavras. O tempo voou e quando perceberam já estavam na terceira dança, e Caio perguntou se ela queria se sentar e se ele poderia fazer-lhe companhia. Ela assentiu, e foram para a mesa, que antes ela ocupara sozinha.

Ela contou chamar-se Helena e disse que era da cidade, morava na Rua do Paraná.

- Mas como eu nunca a vi na cidade? Estou sempre pelas ruas e jamais esqueceria um rosto como o seu.

- Sou filha única e meus pais são muito rígidos. Saio muito pouco de casa. Mas eu não me importo, sou muito tímida e prefiro ficar com os meus bordados e meus livros.

Assim seguiram conversando e não viram o tempo passar. De repente, ela olhou o grande relógio na parede do canto do salão e disse:

- Desculpe, preciso ir. Meu pai deve estar chegando para me buscar.

- Não quero ser inoportuno nem inconveniente, mas poderia acompanhá-la? Assim conversaríamos mais um pouco.

- Está bem, eu também estou gostando muito da conversa. Mas temos de ir logo, para chegarmos antes do meu pai sair de casa.

Sempre conversando, muito felizes, os dois encaminharam-se para a escada, desceram, e quando chegaram na Praça Tiradentes, caía uma chuvinha fina, daquelas comuns em Ouro Preto, nos anos 50.

Imediatamente, Caio tirou o paletó e o ofereceu a Helena, para que ela se agasalhasse do frio e da garoa. Seguiram pela Praça Tiradentes, desceram a Rua Direita e, no início da Rua do Paraná, ela parou na porta de uma casa.

- Chegamos. Muito obrigada pela companhia.

Disse isto e fez menção de tirar o paletó para devolvê-lo, no que foi impedida pelo rapaz. Erguendo uma das mãos, ele falou:

- Não, por favor. Fique com meu paletó. Virei buscá-lo amanhã. Assim terei um motivo para revê-la e conhecer os seus pais. Isto, se for do seu agrado.

(Continua na próxima edição)


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