21 DE OUTUBRO DE 2019

Policiais são denunciados por agressão a advogado e familiares em Ouro Preto


Ouro Preto
12 de julho de 2019
Foto de Michelle Borges

PM informou que houve diversos desacatos à autoridade e incitação à violência. “Foi preciso uso da força para fazer a prisão dos envolvidos”

Por Michelle Borges

Na noite desta quarta-feira (10) após receber uma denúncia de que um advogado e seus familiares teriam sido agredidos por policiais militares, a reportagem de O Liberal compareceu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ouro Preto, onde os envolvidos estavam fazendo exames de corpo delito. No local, estava um grupo de advogados da 49º subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ouro Preto, que acompanha o caso de perto, por se tratar de um colega de profissão, o advogado criminalista Alexandre Marcos Pereira. A Polícia Militar informou que houve diversos desacatos a autoridades e incitação à violência. Todos os envolvidos receberam voz de prisão.

O advogado relatou o ocorrido logo após o atendimento na UPA. “Fui brutalmente agredido por policiais no exercício da minha função. Eu estava em casa, meu filho teve um problema no carro e me chamou, eu fui socorrê-lo e depois que ligamos o carro ele saiu na frente e eu atrás. Só vi aparecer várias viaturas. Pegaram a cabeça do meu filho e quebraram o vidro do carro da viatura. Não falaram nada, foi só agressão. Eu achei que ia morrer”, conta Alexandre. “Eu me apresentei como advogado e não adiantou. Eu lamento que a nossa PM haja dessa forma, tinha outra visão da instituição. Se fizeram isso com um advogado, imagina com um cidadão comum?”, indaga.

A ocorrência durou toda a madrugada e foi acompanhada pela presidente da OAB de Ouro Preto, Mara Simone de Lima e também outros advogados. “Assim que soubemos dos fatos viemos para a UPA apurar o que estava ocorrendo, mas tivemos nossas prerrogativas violadas, pois não pudemos conversar com o Alexandre e fomos ameaçados, caso continuássemos insistindo”, explica a presidente da OAB. Ela pontua que este não é um fato isolado e que a instituição vai tomar providências. “Em menos de seis meses é a terceira ou quarta vez que um advogado é agredido por policiais. O presidente da comissão de prerrogativas da OAB-MG já se dispôs a vir a Ouro Preto no momento adequado para nos apoiar nessa questão”, reforça Mara. Sobre as medidas a serem tomadas agora, ela pontua que irá fazer uma representação e continuar acompanhando o caso de perto, em apoio ao Alexandre e seus familiares. “Não vamos deixar que situações como esta passem em branco mais uma vez. É uma violação esse abuso de autoridade que está acontecendo na cidade”, frisa.

A Polícia Militar

O Tenente Veríssimo, da assessoria de comunicação do 52º Batalhão da Polícia Militar, relatou que a ocorrência teve início na Rua da Abolição, durante uma abordagem rotineira, quando foi solicitado ao filho do advogado documentação do veículo, que estava com o IPVA em atraso, pneus sem condições de rodagem e diversas infrações nesse sentido. Ainda segundo o Tenente, o carro precisou ser removido ao pátio credenciado e o jovem chegou a ser liberado. “Após tomar as medidas de trânsito ordinárias, esse cidadão retornou para o local de maneira astuciosa, conseguiu retornar ao veículo e arrancar do local”, narra Veríssimo.

A partir desse momento, o rapaz foi perseguido, capturado e preso em flagrante por desobediência e outras infrações. “Segundo o BO, quando o cidadão estava dentro da viatura, familiares e outros envolvidos foram ao local e começam a incitar violência, com a tendência de arrebatar o preso da guarnição policial. Por isso, foi necessário reforço de outras equipes policiais para prisão de todos, que resistiram à ordem de prisão”, descreve o tenente.

Sobre a denúncia de que um dos policias teria quebrado um vidro da viatura golpeando a cabeça do filho do advogado, Veríssimo contou que “quando o seu pai chegou ao local, ele, de dentro da viatura, começou a se debater, quebrando o vidro do veículo”.

O Tenente reforçou que, “aquele cidadão que exerce a sua cidadania e respeita a nossa legislação, ele não passa por um tipo de ocorrência com um resultado indesejado, como foi. Não só para os envolvidos que foram presos, com lesões, mas também para a corporação, uma vez que policiais também saíram feridos. Um policial está com fratura no braço esquerdo e vai ficar afastado”.

De acordo com a PM, o rapaz já foi conduzido por (ameaça) violência doméstica, autuado por dirigir sem habilitação e conduzir veículo sem a documentação regular.

Será aberto procedimento administrativo interno na Polícia Militar para apurar o caso. A perícia da Polícia Civil também foi acionada para investigar o caso.

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