17 DE AGOSTO DE 2019

Pesquisa revela: homens de Cachoeira do Campo são mais participativos nas tarefas domésticas


Ouro Preto
19 de julho de 2019

Por Michelle Borges

Estudo de mestrado analisou homens de Belo Horizonte, Ouro Preto e Cachoeira do Campo

Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE) divulgado em abril deste ano, revelou que os homens do Brasil têm participado mais das tarefas domésticas. Já na região de Ouro Preto, uma pesquisa de mestrado desenvolvida pela ouro-pretana Fabiana Matos Queiroz aponta que os homens cachoeirenses são os que mais dividem os trabalhos. Ela realizou o trabalho depois de um resgate histórico específico sobre as cidades de Belo Horizonte e Ouro Preto e o distrito de Cachoeira do Campo, com o objetivo de entender o atual significado da masculinidade na vida do homem. Um dos resultados diz como a localidade influencia a construção de masculinidades diferentes, estando diretamente ligada à cultura, ao estresse e ao meio em que o homem vive.

Fabiana finalizou o mestrado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) em março deste ano. Ela entrevistou 25 homens de 27 a 62 anos, casados, trabalhando, formados ou estudando e com filhos, para descobrir como é a relação deles com as atividades do lar e nos cuidados com os filhos. Participaram do estudo homens de Belo Horizonte, de Ouro Preto e do distrito Cachoeira do Campo.

Ao comparar as três localidades, Cachoeira do Campo se destacou como o lugar onde há mais participação do homem no lar. “Muitas vezes, temos uma ideia de que estas posições mais igualitárias ocorrem nas cidades grandes, e não no interior. A pesquisa diz exatamente o contrário. No interior, a qualidade de vida para viver em família se mostrou maior do que nas cidades de Ouro Preto e Belo Horizonte”, ressalta Fabiana. Além da divisão do trabalho doméstico, a pesquisadora descobriu, ainda, uma paternidade mais ativa deles, preocupada com a transmissão de valores aos filhos e um reconhecimento à esposa quanto a sua dedicação ao trabalho profissional e no cuidado com a casa e os filhos.

A motivação da pesquisa, segundo Fabiana, nasceu quando ela ainda trabalhava na mineradora Vale, onde ficou por 11 anos lidando diretamente com homens na diretoria executiva. “Na época, percebi a diferença de tratamento entre os diretores mais velhos e os mais novos. Os primeiros tinham um modo de tratamento mais ríspido. Já os mais novos eram mais educados, gentis, sempre pediam ‘por favor’. Com a crise em 2015 e o fechamento de vários projetos, fui desligada e voltei a estudar, quando surgiu a ideia de desenvolver o tema da minha pesquisa”, conta Fabiana, que nasceu em Ouro Preto, cresceu em Cachoeira do Campo e mora em Belo Horizonte.

Diversas descobertas foram apresentadas na dissertação com investigação teórica analisadas desde o Brasil Colônia: ser homem depende de cada tempo histórico; as marcas da masculinidade são os pilares nos quais se constroem a sociedade; e o desdobramento da crise de identidade masculina resulta, hoje, nos moldes de masculinidade contemporânea, participativa e colaborativa.

Uma das apurações foi a tendência à construção da masculinidade mais feminina a partir dos homens criados por mulheres. “Observamos que homens crescidos em ambientes femininos cresceram aprendendo que podem chorar, falar dos sentimentos e que o serviço de casa não deve diferir de gênero; com isso, eles tendem a ter uma consciência mais igualitária. Mas não se pode universalizar esses casos, pois também tivemos episódios nos lares que tiveram a presença paterna, ou seja, foram repassadas as questões de valores familiares”, destaca Fabiana.

Outro dado revelado nos dados dos entrevistados se refere à imposição da masculinidade ainda na infância. Foram comuns relatos de homens que foram pressionados à sexualização na época, como forçados a beijar meninas, o que foi denominado, segundo os entrevistados, de agressão simbólica.

Com os entrevistados de Cachoeira do Campo, o valor do trabalho também foi destacado. A maioria apontou o emprego em prol da família como forma de ajudar nas despesas. “Diferente das outras cidades, no distrito, eles ressaltaram que, além do reconhecimento, o trabalho contribui com o sustento familiar. Nas outras cidades, o trabalho foi destacado pela maioria mais em benefício próprio”, frisa Fabiana. “Outro fato interessante é que antigamente, o trabalho vinha em primeiro lugar para o homem, hoje já é o terceiro. Isso é outra marca da masculinidade. A família foi para o primeiro lugar. Alguns entrevistados se mostram insatisfeitos com modelo tradicional de trabalho, que acaba os impedindo de uma convivência maior com a família e de um cuidado com a saúde”, completa.

Paternidade

O estudo evidenciou que a paternidade permite ao homem reconstruir a própria masculinidade. “Quando ele tem que ensinar, ele precisa refletir. E aí ele repensa o próprio modelo que ele vive”, explica Fabiana. Ela ainda esclarece que os homens estão modificando o entendimento do que é ser masculino, redefinindo o papel social dele em todas as esferas, como pai, como trabalhador e como marido. De acordo com a pesquisadora, o acompanhamento paterno modificou a convivência no lar, com uma proximidade e convivência maior com a criança, mas aponta que as mulheres ainda ficam sobrecarregadas. “Os pais participam mais ativamente da educação da criança, da alimentação e da higiene. Eles se mostram mais focados nas atividades com a criança, com uma preocupação maior de transmissão de valores, de educar, ensinar o que é certo ou errado”, reafirma.

A participação dos maridos em casa está muito ligada ao ritmo de vida de cada cidade, mas Fabiana afirma que se surpreendeu com os resultados, pois os homens que mais ajudam nas tarefas são os que têm maior nível educacional. “O trabalho que eles fazem em casa, não depende do número de filhos”, ressalta.

Contraponto

Entre os grupos de homens que não participam das tarefas de casa, uma parte diz ser porque não querem mesmo e, em alguns casos, o fato de as esposas não deixarem, pois eles não o fazem conforme o gosto delas. “Um dos entrevistados me contou que chegava do trabalho antes da esposa, lavava as vasilhas, varria e passava pano, e quando ela chegava, ela fazia tudo de novo. Daí ele parou de fazer”, conta Fabiana.

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