22 DE NOVEMBRO DE 2019

Incúria cultural II


Ponto de Vista do Batista
09 de agosto de 2019


Ficou registrado, no texto anterior, que Cachoeira do Campo sofreu profunda decadência cultural, na segunda metade do século vinte, mais precisamente a partir dos anos sessenta. Até o cinema, os cachoeirenses de época anterior tiveram oportunidade de conhecer, primeiro no Oratório Festivo, posteriormente, noutra sala improvisada, na Rua Padre Afonso de Lemos. Nenhum confortohavia, mas a diversão era garantida com bons filmes, a exemplo de “Cantando na Chuva”, “Casablanca” e outros.

Quanto à toponímia local, muitas denominações foram trocadas, propositalmente como as antigas ruas “do Rego” e “Fonte Fora, ou esquecidas, como “Jardim”. Jardim era a região, desde o Oratório até a ponte do “Vai-e-Vem”, outra denominação pouco lembrada, em referência àquela região, onde à montante da ponte existia razoável poço ao fim de um tobogã natural. Tal local se constituía, para desespero dos pais, no balneário da meninada! Felizmente “jardim” ainda se lembra por meio de um dos condomínios, nas proximidades, e do complexo comercial formado junto com o novo supermercado, ali instalado. Das mais antigas denominações cite-se o “Alto do Beleza”, bairro no caminho de Glaura, que conservou o nome da região, anteriormente povoada por cobras, lagartos e gafanhotos. Apesar da implicância de alguns, por ignorância, contra o suposto erro de concordância, a própria associação do bairro manteve-o. Até prefeito foi corrigido, em público, por se referir ao bairro como Alto da Beleza. Beleza, no caso do citado bairro, nada tem a ver com a qualidade do belo descortinado lá de cima! Teria sido nome ou apelido de um homem! Só por isso não é “alto da beleza”!

Interessante é que mesmo à frente do Alto do Beleza, porém no extremo oposto da localidade, situa-se outro bairro que conserva o nome original: Vila do Cruzeiro. Aqui é bom informar aos desavisados que Vila do Cruzeiro não deve este nome ao clube de futebol, ali localizado. A realidade é justamente oposta. Antes que se fundasse o clube (em 1922), aquela região era também morada de cobras, lagartos e gafanhotos, pois nenhuma edificação lá havia. No entanto, a dominar toda a paisagem vista daquele alto, havia um cruzeiro de madeira, aos pés do qual um grupo de garotos improvisou campo de peladas, que se converteu no atual campo de futebol. Mas isso é outra história para outro momento. Pois bem, o clube se inspirou no cruzeiro para se batizar e, seguindo o exemplo, o pedaço de Cachoeira, ali surgido, fez o mesmo. Portanto, a Vila do Cruzeiro deve seu nome ao antigo cruzeiro de madeira.

Até início dos anos sessenta, subindo pela Rua São Francisco, o perímetro urbano tinha como marco demarcatório a capela de São Francisco. Logo atrás dela estava o mato a margear a antiga estradinha em direção a Santo Antônio do Leite, Engenheiro Corrêa, etc. Dali para cima, as construções mais próximas eram a capelinha de São Sebastião, à direita, e uma casa residência, ao seu lado, porém â esquerda da mesma estrada; era o local conhecido por todos como Cruz dos Monges. De acordo com a tradição oral, local, o nome se deve a uma cruz, ali erigida por monges, que estiveram de passagem, durante os primórdios de Cachoeira. Algum tempo depois, a cruz foi substituída pela capela que, com a casa ao lado, formou um conjunto perdido naquele alto, à beira da antiga estradinha.

No início dos anos sessenta, edificaram-se as primeiras casas, ainda cá em baixo, pouco acima de onde se situa, atualmente, a estação de tratamento d’água. Com o movimento migratório provocado pela então Companhia Vale do Rio Doce, outras casas foram sendo edificadas em direção ao alto, surgindo então a Vila Alegre que, no início, os residentes do centro apelidaram de vila “Vai-Quem-Qué”. A Vila Alegre subiu, subiu, alcançou o altiplano da Cruz dos Monges e abafou este nome. Estava claro, pois não sendo cachoeirenses natos, os moradores daquele bairro não tinham conhecimento do antigo nome. Felizmente, surge agora um projeto, na área educacional, que visa resgatar o nome histórico “Cruz dos Monges”, para o bairro com início na antena de celular e a englobar toda a região onde está o CAIC Filipe dos Santos, da antiga estrada para cima, incluindo-se o novo conjunto residencial do “Minha Casa Minha Vida”. O projeto é parte dos estudos de uma universitária, mas que envolve alunos do último ano, na Escola Municipal Professora Haydée Antunes (CAIC Filipe dos Santos) que, ao defender o resgate do nome histórico, está a cumprir sua função de educar.

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