16 DE SETEMBRO DE 2019

Esperança em câmera lenta


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16 de agosto de 2019


De dentro da lanchonete, eu já observava o senhorzinho tentando atravessar o asfalto, na faixa de pedestres da Padre Rolim. Mesmo ao lado da faixa, ele se apresentava muito inseguro, com uma bengala na mão e visível dificuldade em andar.

Terminei meu lanche e fui em direção à faixa, para atravessar. Aproximei-me do velhinho, ofereci o braço e perguntei “posso ajudar o senhor?” Eu mal terminei de falar e uma garota, bem jovem, veio correndo da porta da padaria, com uma sacolinha na mão, para atravessar junto. Chegou ao nosso lado, colocou o braço no ombro do outro lado do senhor, onde ele se escorava na bengala, e disse “vamos juntos”.

Não havia nenhum carro e começamos a atravessar, no ritmo do velhinho, super devagar. Eu olhava para os lados, caso surgisse algum carro ou moto mais desavisado, para fazer algum sinal de que tivessem paciência. Não deu outra. Apareceram carros dos dois lados e, como não podia deixar de ser, foram parando, um atrás do outro, enquanto atravessávamos.

Foi então que aconteceu o inusitado. Dois casais surgiram do outro lado da faixa de pedestres, atravessando em direção oposta à nossa. Um casal estava de mãos dadas e o outro seguia junto. Aí aconteceu uma coisa tão linda, como há muito eu não presenciava.

Os dois casais diminuíram o passo, para acompanhar o nosso ritmo, que na verdade era o ritmo do velhinho. Foi tão inesperado e tão bonito, que tanto eu quanto a moça que auxiliava o senhor ficamos sem ação. Foi super emocionante. As pessoas olhavam a cena, e por incrível que pareça, surgiram outras, não muitas, mas algumas, dos dois lados, para atravessar, todas andando devagarzinho, seguindo o exemplo dos dois casais.

Foi lindo. Era como se as pessoas andassem em câmera lenta, e os motoristas também entenderam a situação. Ninguém buzinou, ninguém se estressou, esperaram com toda paciência. Assim que acabamos de atravessar, todos passaram a andar com passos normais, deixamos o senhor assentado em um dos bancos na calçada, ele agradeceu e seguimos nosso caminho.

Cheguei em casa imaginando qual seria o destino daquele senhorzinho, se alguém viria encontrá-lo e o que ele fazia sozinho no asfalto, com tanta dificuldade em andar. Obviamente, não conseguiria subir sozinho em um ônibus, mas seria indelicado perguntar, e o sorriso de agradecimento dele foi tão contagiante, que não cabia nenhum tipo de questionamento naquela hora.

Este fato, aparentemente sem maior importância, reascendeu a minha esperança na humanidade. Nem tudo está perdido. Ainda existe gente boa. O mundo não enlouqueceu totalmente e nem vai, se depender de nós. Façamos a nossa parte.


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