09 DE ABRIL DE 2020

Sabendo bem o que fez


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11 de outubro de 2019


Há mil anos, uma pessoa que eu considerava grande amiga, magoou-me muito. À época, eu a procurei e disse como me sentia e que eu queria acreditar que sua atitude foi devido a um mau momento, ou que ela talvez não tivesse percebido o que fez. Para minha surpresa, obtive a seguinte resposta: “eu sabia muito bem o que estava fazendo”.

Meu Deus, como doeu! Chorei por dias seguidos, e hoje, quando falo que aconteceu há mil anos é porque, embora eu não me lembre do tempo cronológico, está tão longe, que parece nem ter acontecido. Depois de um sofrimento ímpar, hoje é como se eu nunca tivesse passado por isso. A vida é perfeita e Deus não erra, tudo é como deve ser, eu precisava passar pelo que passei, para a minha evolução.

Este fato, completamente esquecido em minha memória, voltou hoje, devido a uma quase reprise do mesmo. Uma conhecida (desta vez nem doeu, porque a pessoa não era nem colega, e sim uma mera conhecida) teve uma atitude horrorosa que, embora não me atingisse diretamente, atingiu pessoas que eu amo. Mesmo sem me lembrar ainda do fato passado, tomei a mesma atitude. Perguntei a ela o porque de tamanha crueldade e falei que talvez ela não tivesse tido noção do estrago que fez. A resposta veio praticamente idêntica: “eu sei exatamente o que fiz”.

Foi ao ouvir esta frase que reportei-me ao sofrimento do passado e me coloquei no lugar das pessoas atingidas. Lembrei-me, sem nenhuma dor presente, das lágrimas passadas, dos dias sem dormir, do quanto a confirmação de alguém que a gente gosta ter nos machucado de propósito pode doer. E o mais triste, confirmado pela própria pessoa.

Não consigo entender. O que pode levar um ser humano a machucar outro e orgulhar-se disto? Será o ego tão inflado que não pode admitir que errou? Ou será que existam pessoas capazes de achar certo magoar alguém, e alguém que as chamaram amigas, ainda por cima? O orgulho, a vaidade, são tão poderosos a ponto de impedirem a pessoa de ver o que está debaixo do seu nariz?

Por um lado, fiquei chateada pelos meus amigos, por outro, fiquei feliz ao constatar que o meu sofrimento ficou mesmo no passado, a ponto de eu nem me lembrar, e isto me deu a certeza de que os que foram magoados hoje, um dia também não se lembrarão. E senti um alívio tão grande por ter agido corretamente na época! Não guardo mágoa, a pessoa achava que estava certa, direito dela. Mas eu prefiro evitar machucar os outros e, se por acaso o fizer e alguém me alertar, faço absoluta questão de voltar atrás e tentar consertar a situação. Direito meu.

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