20 DE OUTUBRO DE 2019

Prefeito de Itabirito comenta os primeiros 30 dias de governo


Itabirito
11 de outubro de 2019
Por Marcelo Sena

Orlando Caldeira esclarece vale-alimentação para servidores, relacionamento com a Vale, medidas anticorrupção e “ingratidão” de antigos aliados na Câmara

Na última terça-feira (08/10) o prefeito de Itabirito, Orlando Caldeira, concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O Liberal para comentar os primeiros 30 dias à frente do Executivo Municipal e as expectativas para o fim do mandato. O prefeito elencou as ações já desenvolvidas em sua gestão, propôs medidas anticorrupção e comentou o relacionamento com a Vale e com a Câmara Municipal de Itabirito.

Empossado no dia 09 de agosto, Orlando comparou o período de campanha aos desafios enfrentados à frente da Prefeitura. “Se eu pudesse resumir em uma palavra esse primeiro mês, seria ‘trabalho’. Tivemos uma campanha muito desgastante, com poucos recursos como sempre fizemos, mas 30 dias de mandato tem sido mais difíceis. Quando começa uma campanha, você está em um processo de expectativa. Quando você assume, a expectativa termina e começa o processo de responsabilidade”.

Um dos assuntos mais debatidos nas últimas reuniões ordinárias da Câmara de Itabirito refere-se a um possível aumento dos vales-alimentação dos servidores municipais, que igualaria todas as faixas salariais e autarquias, no valor de R$ 500,00. Sobre isso, o prefeito disse que esta não era uma promessa de campanha. “Nunca prometi auxílio-alimentação de R$ 500,00. Falei que ia lutar, ajudar o servidor naquilo que fosse possível. Mas, hoje, eu não posso aumentar a despesa do município em quase R$5 milhões por ano, sendo que peguei uma prefeitura com um custo fixo mais alto que as receitas. Eu tenho que enxugar pois pegamos uma prefeitura arrasada em termos gerenciais, econômicos e financeiros. A prefeitura deve hoje, só para o INSS, R$35 milhões. Itabirito é uma cidade rica, mas estava muito mal gerenciada, não precisávamos dever ninguém”.

Outro assunto amplamente abordado durante a campanha eleitoral refere-se ao combate à corrupção. Sobre isso, o prefeito comentou alguns indícios de fraudes em contratos e notas de mandatos anteriores encontrados agora em sua gestão. “Nós estamos encontrando contratos de marmitex, por exemplo, no valor de R$ 81 mil, R$ 82 mil, R$ 84 mil reais, por mês. São 6000 ou 7000 marmitas. Para onde vai isso? Nós temos 3.200 servidores, como ter 6000 marmitas?”.

Perguntado sobre quais medidas sua gestão tem tomado no combate à corrupção, Orlando comentou sobre auditoria e aquisição de novas ferramentas. “Já estamos implantando um sistema de compliance que vai auxiliar muito no combate à corrupção desde a base. Isso permite que os casos sejam investigados e resolvidos internamente e não permite que se propaguem pelo resto do governo. E ele afeta todos os níveis. Nós pensamos em fazer uma auditoria dos contratos existentes, mas nos foi cobrado o valor de R$300 mil e nós não temos esse dinheiro agora. Não descartamos a ideia, mas estamos buscando opções mais baratas”.

Diante das dificuldades financeiras enfrentadas, uma das maiores fontes de receita do município é a mineradora Vale. Perguntado sobre a relação entre a prefeitura e a mineradora, o prefeito disse que o relacionamento é “o melhor possível”. “É uma Companhia que vejo que tem responsabilidade. Os rompimentos de barragens que aconteceram foram fatos técnicos, relevantes e que a empresa agora está trabalhando para corrigir as falhas, como no caso da obra em São Gonçalo do Bação. Até hoje, tudo aquilo que solicitamos, a Vale está atendendo”.

Sobre o relacionamento entre o novo governo e a Câmara Municipal, Orlando comentou a postura combativa adotada por membros do legislativo, inclusive de membros do Cidadania (mesmo partido do prefeito) em relação ao Executivo. “Existe uma palavra que se chama ingratidão. Foram parceiros de campanha e eu não fiz nada contra eles para merecer essas críticas. Sempre estive e sempre estarei ao lado dos vereadores. Como presidente do partido, dei total liberdade a eles de fazerem a própria política. Eu vou procurar fazer o correto, dentro do que eu acredito e dentro do que acredita o partido”.

Para o restante do mandato, o prefeito prometeu continuar as obras já iniciadas no município e buscar novas formas de recurso para Itabirito. “Queremos cumprir um de nossos compromissos de campanha que é dar sequência a todas as obras que estavam em andamento. Também é nossa meta buscar parcerias público-privadas, como foi a Festa do Pastel de Angu, para que a gente possa fomentar, não só o bem-estar da população mas também a economia da cidade”, finalizou o prefeito Orlando Caldeira.

Resposta dos vereadores do Cidadania

Diante do sentimento de “ingratidão” revelado por Orlando Caldeira, os vereadores do Cidadania, Ricardo Oliveira e Nilson Esteves comentaram as declarações do prefeito.

O vereador Ricardo Oliveira disse ter sido surpreendido com as declarações de Orlando Caldeira. “Estou muito surpreso com este posicionamento do Prefeito! Seria totalmente incoerente da minha parte abrir mão das pautas que defendo e cobro desde 2017! E é apenas isso que eu tenho feito: mantido fielmente as funções para as quais eu fui eleito para exercer. Estive reunido com o Prefeito e vice-prefeito antes de assumirem a prefeitura e reafirmei a eles o meu compromisso com a população de Itabirito em primeiro lugar! Minha gratidão ao partido, filiados e ao próprio Orlando, na figura de Presidente do Cidadania jamais pode sobrepor aos meus deveres e obrigações enquanto vereador! Antes, devo gratidão aos meus eleitores e até àqueles que não votaram em mim, mas que contam com meu trabalho para ser sua voz dentro da Câmara. Afinal, este é o meu trabalho!”, disse Ricardo.

O vereador Nilson Esteves rebateu os termos utilizados pelo prefeito. “Entendo que gratidão é um sentimento que nunca prescreve. Sou grato a todas as pessoas que caminham juntos em busca do bem para nossa cidade. Não observo nenhuma postura de ingratidão minha em relação à pessoa do Orlando. Mas não podemos confundir o papel de cidadão com a função de representante do povo, seja no Executivo ou Legislativo. Enquanto ocupante de uma cadeira na Câmara, tenho sim que ser combativo, como o Prefeito mencionou. Exerço o papel de legislador e fiscalizador do cumprimento das leis. Quando assumi uma cadeira na Câmara eu disse que, independente de quem estivesse à frente do Executivo, os projetos que fossem bons para a população teriam meu apoio, mas que não abriria mão da minha função de fiscalizar. Se exercer o papel de fiscalizador e legislador é ser combativo, então minha resposta é: sou combativo, mas ingrato jamais”, afirmou Nilson.

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