09 DE ABRIL DE 2020

Ainda falta um ano


Amenidades
01 de novembro de 2019


Como é comum nesta época, o tempo mudou repentinamente, e pingos grossos de chuva começaram a cair. Quando eu saí de casa o céu estava límpido e o sol brilhava, e como a gente só se lembra da sombrinha depois que a chuva cai, fui pega de surpresa.

Entrei na primeira lanchonete cuja porta vi aberta, porque a chuva já demonstrava que ia cair bem forte. Outros desavisados como eu tiveram a mesma idéia, porque logo o pequeno espaço ficou com várias pessoas.

Ao meu lado, dois homens discutiam sobre política, e pelo tom já alterado que nenhum dos dois parecia fazer questão de esconder, percebi que a conversa já devia estar acontecendo há algum tempo.

As pessoas ficavam olhando para fora, esperando a chuva passar, mas tive a impressão que o faziam mais para dar a entender que não estavam prestando atenção, uma vez que não escutar era impossível.

Fui até o balcão e pedi um suco, embora não estivesse com sede, mas foi uma forma que encontrei de me assentar e assim meio que “justificar” a minha presença ali, o que tornou-me mais à vontade.

A discussão continuava.

- Fulano não fez nada.

- Não? E fulano, que além de não fazer nada, ainda roubou (frase forte, ainda mais em público)

Ficou claro que não estavam preocupados com a política, mas com nomes, cada um defendendo o seu candidato, em uma época em que as candidaturas nem se oficializaram ainda.

Fiquei pensando que ainda falta um ano para as eleições, talvez os referidos “fulanos” nem saiam candidatos e já tem quem esteja brigando por eles. É interessante como algumas pessoas se apegam a nomes para determinados cargos, tanto executivo como legislativo, e não enxergam mais nada. Vira fanatismo.

Acreditar em alguém, ter nele seu candidato, tudo bem. Mas parecia que eles já iam votar amanhã, tamanha a empolgação. E se a pessoa por eles escolhida não se candidatar? Pode ser que tanto o escolhido por um, como o escolhido pelo outro, nem se interessem pelas eleições, mas eles já citavam os nomes em público, já expunham as qualidades e os defeitos de ambos, e, claro, o escolhido só tinha qualidades e o desafeto só tinha defeitos. Outro erro: por que o fato da pessoa não ser a escolhida para o voto a torna um desafeto?

Fiquei ouvindo e pensando que se hoje já está assim, o que esperar do ano que vem. Tomei o meu suco bem devagarzinho, rezando para que a chuva passasse logo.

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