11 DE JULHO DE 2020

“Gourmetização” de produtos e serviços: é importante o consumidor ficar atento


Direito do Consumidor
14 de novembro de 2019


É comum nos depararmos com a palavra gourmet nos corredores dos supermercados, padarias, restaurantes e outros estabelecimentos. Nos últimos anos vivenciamos a popularização dessa palavra, mas qual é a sua origem? O que ela tem a informar aos consumidores?

A palavra gourmet era utilizada na França já no século XVIII, com a finalidade de adjetivar e atribuir uma qualidade, a uma pessoa com um paladar refinado. Já no século XIX, ao surgir os primeiros restaurantes, a palavra passou a ser utilizada para identificar os clientes que frequentavam esses estabelecimentos.

Com o decorrer dos anos a sua finalidade sofreu grandes mudanças, principalmente no contexto do mercado de consumo. Atualmente presenciamos o fenômeno da “gourmetização” dos mais diversos produtos pela utilização não só da palavra gourmet, como também VIP, premium, gold, extra, dentre outras. Do simples brigadeiro vendido pelo colego de sala, passando pela cerveja feita no fundo do quintal, chegando até mesmo à uma torneira de cozinha gourmet, o consumidor é a todo momento bombardeando com informações que muito pouco esclarecem, pelo contrário, as vezes são apresentadas com a manifesta intenção de persuadi-lo para a prática de um ato de consumo. Pois bem, o consumidor é um sujeito realmente complicado de se entender. Muitas vezes são essas “palavras mágicas” que o convencem na hora de escolher qual produto vai adquirir ou qual serviço irá contratar (um efeito semelhante àquele observado com as palavras promoção, desconto e liquidação, que já tratamos em outra coluna).

A utilização destes estímulos para convencer o consumidor é fruto do contexto econômico que caracteriza a nossa sociedade como sendo de consumo. O ato de consumir, assim, é constantemente estimulado pelos mais diversos mecanismos disponíveis pelos fornecedores, que não perdem a oportunidade de dar aquele “empurrãozinho” para que o consumidor decida por adquirir os seus produtos.

Todavia, ao se analisar o conteúdo de muitos dos produtos que hoje são comercializados e intitulados como gourmet, premiun, extra... percebe-se que, em regra, eles não apresentam mudanças significativas em relação a outros produtos da mesma função e que não são considerados como sendo gourmet, premiun, extra... Ocorre, porém, que a despeito da ausência de características realmente diferenciadas (ou não dispondo da qualidade superior esperada em relação a outros produtos não gourmetizados), o que se nota é que cada vez mais o consumidor identifica novos produtos apresentados com essa “gourmetização” e que, como uma das consequências, possuem preços mais altos. E é aí que está a armadilha para capturar a escolha do consumidor.

Com a utilização de termos que, objetivamente falando, transmitem pouca informação e que se utilizam das nossas interpretações para nos convencer de que, se um produto é gourmet, ou premiun, ou extra..., ele é bom, mais sofisticado e que, por isso, vale a pena pagar um preço maior por ele.

A alternativa que se apresenta ao consumidor para que seja evitada a aquisição de um produto mais caro, pelo simples fato dele ser chamado de gourmet, ou de premiun, ou de extra, entre outros, é a atenção. Atenção na leitura dos ingredientes, atenção na comparação com os outros produtos não foram “gourmetizados”, atenção para não se deixar enganar por palavras que, após a banalização do seu uso, nos diz muito pouco sobre as vantagens em consumir o produto ainda que, em regra, nos convença a pagar mais caro quando elas se fazem presentes.

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