12 DE DEZEMBRO DE 2019

Coordenador Operacional da Cáritas teme prejuízos no trabalho da instituição em Mariana


Mariana
22 de novembro de 2019


Por Marcelo Sena

Gladston Figueiredo diz que ações da Assessoria Técnica ficarão comprometidas caso dinheiro investido em matriz de danos seja devolvido à Fundação Renova. Valores estão estimados em R$1,5 milhão

Quatro anos depois do rompimento da barragem de Fundão, uma das conquistas apresentadas pelo promotor Guilherme Meneghin foi a implantação de uma Assessoria Técnica aos atingidos de Mariana. O trabalho, executado pela Fundação Cáritas Brasileira, está ameaçado devido a uma disputa judicial que aborda o bloqueio das contas da Fundação Renova.

Quem explica a situação é o Coordenador Operacional da Cáritas em Mariana, Gladston Figueiredo. Em entrevista exclusiva ao jornal O Liberal, Gladston defendeu a existência da matriz de danos e revelou a preocupação de uma possível devolução, à Fundação Renova, dos recursos investidos no trabalho. Isso, segundo Gladston, comprometeria todo o trabalho da Cáritas Brasileira ao longo da bacia do Rio Paraopeba.

“Por causa da disputa judicial em que estamos, corre-se o risco da Cáritas necessitar devolver o recurso que já foi pago para a confecção da matriz. Algo em torno de R$ 1,5 milhão. A Cáritas, a essa altura do campeonato, se se vir descapitalizada nesse valor, vai sofrer um baque muito grande em todo o processo de assessoramento que está acontecendo aqui na bacia. Por isso os atingidos têm ido lá lutar para que não aconteça”, argumentou o coordenador da Cáritas.

Gladston Figueiredo explicou como funciona a Assessoria técnica desenvolvida pela Cáritas Brasileira em Mariana. “Ter uma assessoria técnica pressupõe a existência de um grupo de profissionais de diversas áreas do conhecimento, que ajudem a interpretar aquilo que as empresas apresentam aos atingidos, para que eles tomem a sua decisão. Uma característica fundamental da AT é o respeito à independência e ao protagonismo do atingido. A gente apresenta ao atingido as opções que existem e quais as consequências dessa ou daquela escolha que a comunidade fizer. Mas é sempre a comunidade atingida que define o que vai ser feito”.

O coordenador ressaltou também o pioneirismo de ações de assessoramento, diante do maior crime ambiental da história do Brasil. “Outra questão importante de pontuar é o ineditismo da Assessoria Técnica em Mariana. Foi o primeiro acidente/crime desse porte no Brasil e, consequentemente, nós fomos a primeira assessoria. Esse ineditismo traz ônus e bônus. Muitas das coisas implantadas aqui foram verdadeiros desbravamentos, dentro de um cenário onde não existia ainda a ideia do que realmente seria uma assessoria técnica. Em nenhum momento nós falamos pelos atingidos. O atingido é quem fala de si. O que buscamos é criar espaços para que o atingido tenha voz e vez. A assessoria é um direito, não uma obrigação. O atingido pode prescindir da participação da assessoria da Cáritas nas mais diversas modalidades, como nas discussões sobre o reassentamento ou sobre as indenizações. O atingido pode não escolher pela assessoria e ainda assim ser assessorado? Por exemplo, nós comunicamos a eles que o caminho “A” apresenta esse ou aquele problema e ele ainda assim pode optar pelo caminho “A”. O nosso papel é único e exclusivamente trazer os elementos para que a pessoa decida qual caminho seguir”, finalizou Gladston Figueiredo, Coordenador Operacional da Cáritas Brasileira em Mariana.

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