11 DE DEZEMBRO DE 2019

Jabuticabeira, um símbolo local II


Ponto de Vista do Batista
29 de novembro de 2019


Ao admirar uma jabuticabeira, considerando sua pujança, robustez, resistência e longevidade, em comparação com a fragilidade de seus frutos e os poucos cinquenta dias destinados à sua produção, chega-se à conclusão que, em alguns aspectos, a vida humana a ela se assemelha. Na jabuticabeira, tudo leva a crer que seus frutos sejam grandes, fortes e duradouros, assim como a matriz que os gera. Ao brotarem-se as minúsculas flores, a partir de “encaroçamento” à semelhança da brotoeja na pele humana, a cobrir-lhe o tronco, desde as raízes até as pontas dos galhos, percebe-se quão seus propósitos contrariam a nossa imaginação. A vida humana também pode se mostrar sob generosos dotes intelectuais e culturais, bem como a ostentar grande poderes políticos e econômicos, em contraste com sua missão, no plano cósmico, que pode aparentar coisa pouca e, praticamente, invisível aos olhos mundanos. Além do mais, tudo na jabuticabeira é diferente entre demais espécies no ramo vegetal. Pouco antes de as pequenas flores se abrirem, as folhas caem, deixando a árvore pelada, como se estivesse seca e pronta para o fogo.

Quando as flores se abrem percebe-se o porquê de a jabuticabeira ficar pelada. Abre-se caminho para as abelhas realizarem seu trabalho; aproximação que estaria dificultada com o obstáculo das folhas. Findo o período da polinização, toda a árvore se refolha. Como é sábia a natureza! Afora os três primeiros dias da floração, destinados à polinização a cargo das abelhas, no restante do tempo dispensa-se o sol, tão requerido por outras frutas, sendo bem vinda a chuva em seu lugar, desde que não em forma de tempestade. A jabuticaba é fruta da chuva, é fruta da água. Se suas raízes alcançam o lençol freático, a produção pode ser mais generosa e repetida em outras épocas do ano. Ao trepar na jabuticabeira há que ter alguns cuidados, entre os quais, o de se certificar onde pisa, pois um pequeno descuido pode levar a um desastre ou mesmo a uma tragédia. Seus galhos são extremamente resistentes, estando verdes, sustentando o peso de uma pessoa apoiada numa forquilha, que não precisa ser das mais grossas.

Entretanto, se estiver seco, não importa a grossura do galho pois, tentar se sustentar nele é risco de queda, na certa. Antes de trocar pontos de apoio para os pés, há que ter os olhos atentos na situação, conferindo se há folhas nas pontas dos galhos; se houver, tudo bem, se não houver, caia fora! Procure outro apoio porque, ao contrário, o chão o espera! Observada essa norma de segurança, quem sobe numa jabuticabeira há que ficar à vontade, misturar–se entre os galhos, como se um deles fosse. Assim não sendo, melhor não encarar a tarefa e deixar que as jabuticabas sejam colhidas por outrem; ou que elas caiam. Finda a curta temporada da jabuticaba, a jabuticabeira deixa de chamar a atenção e assim deve permanecer por s disso, ela se despe de toda a casca. Do tronco até às pontas dos ramos, a casca se solta em pedaços, para que outra tome seu lugar. Nesse fenômeno percebe-se a sabedoria da mãe natureza a determinar curiosa defesa da árvore. A chamada "erva de passarinho", parasita que abafa qualquer árvore maior, não tem vez com a jabuticabeira. A erva se estende sobre sua copa, mas na troca da casca, perde sustentação e morre. Talvez seja a única árvore que não se deixa dominar pela "erva de passarinho". Ao escrever passarinho, lembro-me que entre as aves há uma espécie que também aprecia a jabuticaba, tanto quanto nós humanos.

É a maritaca (maitaca ou maracanã em outras regiões), que a esta época sobrevoa Cachoeira do Campo em grandes bandos barulhentos à procura da fruta. O curioso é que, enquanto ocupadas com as frutas, elas permanecem em silêncio total, como se por medo de serem descobertas. Só se escuta o barulho das cascas caindo no chão. Ao se verem descobertas alçam voo na maior algazarra. Ainda bem que elas não descem muito pela árvore. Limitam-se à copa. Se descessem, talvez não sobrasse muita coisa para nós outros. Pois é, gente, as jabuticabeiras estão em vias de desaparecer da paisagem cachoeirense e, quiçá, da região.

Em muito, o número delas já foi reduzido e, dentro de alguns anos, talvez não restem mais que umas poucas para contar a história, se medidas protetivas não forem adotadas. A jabuticabeira pode ser considerado um dos nossos símbolos, por ter aqui o clima ideal para sua existência produtiva, Salvemos as jabuticabeiras!

Veja mais


Ponto de Vista do Batista
19 de nov de 2019
Jabuticabeira, um símbolo local I...

Ponto de Vista do Batista
04 de nov de 2019
Incontinência verborrágica da família presidenc...
















QUER FICAR POR DENTRO DAS NOVIDADES? CLIQUE E CADASTRE O SEU EMAIL, PROMETEMOS NÃO ENVIAR SPAM!
ITABIRITO
OURO PRETO
MARIANA
BRASIL
MUNDO
ARTIGOS
GALERIA
EDIÇÕES
SOBRE NÓS

 CONTATO
   

PARCEIROS