11 DE DEZEMBRO DE 2019

Dia Nacional do Samba é celebrado neste dia 2 de dezembro


Ouro Preto
02 de dezembro de 2019
Candonguêro. Crédito Daniel Laia

Conheça a história de alguns sambistas de Ouro Preto

Por Michelle Borges

Neste dia 2 de dezembro é celebrado o Dia Nacional do Samba, um dos gêneros musicais mais importantes do Brasil. A comemoração surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luís Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. O compositor teria escrito seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", exaltando a Bahia sem nunca ter visitado nenhuma cidade do estado. Foi então, nesta data, no ano de 1940, que ele teria ido a Salvador pela primeira vez. Desde então a data se espalhou pelo Brasil e virou uma comemoração nacional.

A cultura do samba, que envolve música e dança, é bastante presente no país, sendo considerada uma das marcas registradas do Brasil. Em Ouro Preto diversos grupos aderiram ao estilo e um deles é o Fundo de Panela, um dos mais antigos. Zé Reis, um dos fundadores, conta como surgiu a paixão pelo estilo musical e fala da formação do grupo, que surgiu em 14 de setembro de 1994. “Meu primeiro presente foi um pandeiro e eu sempre fazia umas brincadeiras, sem muito interesse, pois era novo, tinha sete anos. Meu pai gostava de tocar uma sanfona e eu saia com ele para fazer tocar, por entretenimento. Anos mais tarde surgiu um maior interesse pelo samba e eu com alguns amigos nos reuníamos no Barroco, na Rua Direita, e todo sábado fazíamos um samba. Um dia um integrante levou uma colher de pau para tocar o Agogô e surgiu o nome, sendo todos integrantes negros. Desde então continuamos com muita vontade e amor pelo ritmo”, relembra Reis.

O universo do samba era muito marcado pela presença masculina, mas o surgimento de grandes nomes femininos na música foram mudando este cenário, como Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Beth Carvalho e Teresa Cristina. Em Ouro Preto, o samba conta com diversos grupos que tocam o ritmo. entre eles também há uma voz feminina que marca o estilo na cidade, a sambista Érica Curtiss. Ela destaca a presença masculina não só nas rodas, como também nas letras de samba. “As temáticas que eles colocam para o samba marcam bem essa diferença e eu gosto sempre se citar o Herivelto Martins: ‘Levanta nega manhosa, deixa de ser preguiçosa, vai procurar o que fazer’. O machismo é muito presente na metade do século XX, mas as mulheres vêm para quebrar paradigmas. A Clara Nunes foi uma cantora que vendeu milhares de disco em uma época que só os homens imperavam, então a gente vem quebrando as barreiras. Eu sempre fui muito bem recebida na roda de samba, não tive problemas com isso. Comecei a cantar jovem, no final dos anos 80 e não senti na pele o machismo. Mas estamos aí, o Brasil é cheio de mulheres maravilhosas, essa nova geração tem muita mulher boa de serviço quebrando o machismo presente no samba”, destaca. Ela fala também do envolvimento com o samba. “Meu interesse pelo samba surgiu ao longo da vida e na verdade é o samba que escolhe a gente. Chega de mansinho, vai nos envolvendo e quando a gente vê, já estamos dedicadas a esse ritmo tão importante na música e cultura brasileira”, ressalta.

Os músicos enfatizam a importância que o samba tem para a cultura brasileira, como evidencia Chiquinho de Assis, do Candonguêro. “Esse é o dia da nossa identidade musical. Quando se fala em samba, o mundo inteiro reconhece o Brasil. Um estilo que surgiu pelas mãos dos nossos antepassados vindos da África. Um povo que mesmo escravizado nos deu diversas contribuições culturais. Fico feliz em ser um sambista da nossa cidade, que tem grandes sambistas desde o mestre Edmundo Guedes, que fez o eterno samba do Padre Faria, ‘O Terno Branco’, Vicente Gomes, o nosso querido Zé Reis e tantos outros como Dona Maria do São Cristóvão, que fez a belíssima canção ‘Sambei’, que chegamos até a gravar. Fico muito feliz de ser do Candonguêro e poder fazer um trabalho hoje que valoriza a música popular brasileira com seus diversos gêneros, incluindo o samba, e o samba de gente da nossa terra”, celebra.

No próximo sábado (7) acontece em Ouro Preto um evento que tem como objetivo homenagear o samba. O encontro está em sua 11ª edição e Regiane Magno Pereira, o Guinho, revela que a ideia inicial era bem informal. “Era uma reunião de amigos que, por acaso, eram integrantes de duas bandas na cidade nos anos 90: Sorriso Negro e Mistura de Raça. Nos reunimos em um beco na Rua 13 de Maio, com amigos e familiares, para relembrar sambas do passado, homenageando nosso saudoso maestro Valdir Valadares. A iniciativa foi muito elogiada e abraçada pela população. Hoje estamos na 11ª edição mais organizados e com a finalidade de homenagem o samba, propriamente dito”, narra.

O Samba no Beco acontece na Mina Treze de Maio, a partir das 14h. Informações na página do evento no facebook.

Escolas de Samba

Entre os diversos tipos do gênero musical, as escolas de samba se tornaram uma manifestação cultural brasileira representativa. Elas são uma adaptação dos cordões carnavalescos criados no início do século XX e trazem em suas letras temas sociais, históricos e culturais.

Atualmente Ouro Preto conta com nove escolas coordenadas pela Liga das escolas de samba (Lesop), que organizar os desfiles e o carnaval das agremiações. O presidente da Liga, João Bosco, ressalta a importância social das escolas para cidade. “Nas escolas não há desigualdade, todos os envolvidos se encaixam em uma mesma condição, unidos com a motivação de evidenciar as comunidades. Ninguém se torna melhor que ninguém. Elas são estimuladas a concorrer por um troféu que significa muito mais do que ser campeã, significa a união para alcançar outros ideais, com o desejo de crescer mais como comunidade, como uma grande equipe”, pontua Bosco. “Além disso, faz com que os jovens passem a enxergar com outros olhos a importante missão de perpetuação da cultura de nossa cidade. Esse é um papel social importantíssimo das escolas de samba na inserção do jovem na sociedade que sofre com a carência de oportunidades verdadeiras para se tornar um cidadão de fato, como por exemplo, ensinando a costura, escultura, marcenaria, música, percussão e trabalho em grupo”, completa.

O presidente da liga também abordou que mesmo com as dificuldades financeiras, “as escolas de samba têm se mantido em cena procurando ocupar mais espaços para apresentar e manter nossa cultura, nossa história e nossos costumes. Elas não se preocupam apenas com a preparação dos desfiles de carnaval, elas participam ativamente do cotidiano de suas comunidades trabalhando em conjunto até mesmo em comemorações religiosas e esportivas”.

A primeira agremiação da cidade foi a Império do Morro Santana, fundada em 1957. Em seguida surgiu a Escola de samba Unidos do Padre Faria, dando início às competições na década de 70. Além da Império do Morro Santana e da Unidos do Padre Faria, integram o grupo as escolas: Acadêmicos de São Cristóvão, Imperial de Ouro Preto, Aliança da Piedade, Inconfidência Mineira, Mocidade independente Princesa Isabel, União Recreativa do Santa Cruz e União Recreativa Cachoeira do Campo. A diretoria da primogênita enfatiza a importância das escolas para a manutenção e preservação da cultura do samba. “Essa é uma importante tradição das comunidades. O som das nossas baterias é um patrimônio cultural da cidade, por ser único. As batucadas tiveram como base os tambores do congado, Moçambique e afoxés, riquezas da cultura africana”, acrescenta Temistokles Rosa, o Teko, presidente da escola.

Os primeiros troféus do carnaval ouro-pretano podem ser vistos na galeria de troféus da escola do Padre Faria.

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