11 DE DEZEMBRO DE 2019

A importância da informação no combate à AIDS no mês da luta contra a doença


Ouro Preto
03 de dezembro de 2019


Por Michelle Borges

De acordo com uma estimativa do Ministério da Saúde, 900 mil brasileiros possuem o HIV, dos quais 135 mil ainda não sabem. Em Ouro Preto, 95 pessoas passam pelo tratamento

Associar cores aos meses do ano se tornou uma ferramenta importante para chamar a atenção e conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar da saúde e priorizar a qualidade de vida. Com esse objetivo, o Dezembro Vermelho alerta para a prevenção da AIDS e das infecções sexualmente transmissíveis (IST). O Dia Mundial de Combate à AIDS (português brasileiro) ou Dia Mundial de Luta Contra a SIDA (português europeu) internacionalmente definido como o dia 1° de dezembro é uma data voltada para a conscientização sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA).

A data foi instituída em 1988 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e marca o início da campanha Dezembro Vermelho. A AIDS é uma doença causada pela infecção do vírus da imunodeficiência humana, o HIV na sigla em inglês. Com a evolução do tratamento, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a AIDS, por isso há diferença entre os termos. Wendell Magalhães, farmacêutico da Dispensadora de Medicamentos Antirretrovirais (UDM) de Ouro Preto, explica a diferença entre o vírus e a doença e como ela se desenvolve. “O HIV é o vírus que causa uma imunodeficiência e a AIDS é o estágio mais avançado da infecção causada por esse vírus, isso quando a pessoa não trata essa infecção a tempo. Então, uma pessoa que é portadora de HIV, que não sabe que tem o vírus e que consequentemente não se trata, ela provavelmente vai desenvolver a AIDS. Já uma pessoa que descobre que tem o vírus ainda numa fase assintomática e faz o tratamento adequado, ela nunca vai chegar ao estágio da AIDS. Reforçando que a pessoa que se trata adequadamente, e está indetectável há mais de seis meses, ele não transmite o HIV por fluidos sexuais, embora possa transmitir por sangue”, esclarece.

O HIV ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças e as células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Já a AIDS, é o estágio mais avançado da doença, quando o organismo fica mais sujeito a diversos agravos que vão de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer.

De acordo com uma estimativa do Ministério da Saúde, 900 mil brasileiros possuem o HIV, dos quais 135 mil ainda não sabem. A maioria dos casos registrados é na faixa de 20 a 34 anos (52,7%) principalmente em relação aos homens. Em Ouro Preto, 95 pessoas, da sede e distrito, fazem o acompanhamento pelo SUS. Entre esses, seis pessoas desenvolveram a doença. “Não temos o número total de pessoas, pois algumas pessoas optam por fazer o tratamento em Belo Horizonte para não se exporem”, ressalta Wendel.

Na sexta-feira (29) o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lançou em Brasília (DF) nova campanha de prevenção ao HIV/AIDS, ‘Se a dúvida acaba, a vida continua’. O foco é reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento.

Contaminação

A transmissão do HIV se dá principalmente por via sexual sem proteção, seja ela anal, vaginal ou oral. “É claro que existem gradações na possibilidade de transmissão. É muito mais fácil o contagio pelo sexo anal receptivo do que oral, por exemplo. No caso do oral, a taxa é mais baixa e mesmo tendo uma possibilidade muito pequena, ela ainda existe”, reforça o farmacêutico.

Outras formas de transmissão são por meio da transfusão de sangue contaminado e seus derivados; através do uso de drogas injetáveis e compartilhamento de seringas; materiais perfuro-cortantes não esterilizados; ou por meio da transmissão vertical de mãe para filho na gestação, no parto ou na amamentação. Vale destacar que, mesmo assintomático, o portador pode continuar a transmitir o vírus.

Tratamento

O Brasil é referência internacional no tratamento de AIDS por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizando ao cidadão medicamentos gratuitos e também a testagem de sorologia e ao preservativo (camisinha). Wendel pontua que, seguindo o tratamento, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. “Antigamente era um coquetel, com vários medicamentos. Atualmente o tratamento é feito com medicamentos antirretrovirais, que são comprimidos, com um ou dois no máximo por dia. Ele é eficaz e se o paciente seguir adequadamente, como preconizado, nunca vai desenvolver o estágio da AIDS. Já as pessoas que cometem falhas no tratamento, em longo prazo vão ter problemas, pois o vírus ficará resistente e aí será necessário adicionar outros comprimidos ao tratamento”, evidencia.

Em Ouro Preto, quem quiser fazer o teste pode procurar o posto de saúde da sua referência para agendamento. “Caso o paciente descubra que tem o vírus, ele poderá consultar na Policlínica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) onde tem um setor específico para o tratamento com acompanhamento da médico infectologista, farmacêutico e assistente social. Há também acompanhamento no Centro de Saúde da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)”, destaca.

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