12 DE AGOSTO DE 2020

Paradoxo na comunicação


O Berro do Bode Zé
21 de janeiro de 2020


Falar e escrever, inteligivelmente, no idioma pátrio, o idioma de berço, é o mínimo que se espera dos cidadãos, ambos os gêneros, para que tenham consciência e condições no pleno exercício da cidadania, direito adquirido ao assumir deveres e responsabilidades inerentes à sua nacionalidade. Lamentavelmente, não é esta a situação do brasileiro mediano, ainda que escolarizado. Sabia-se dessa deficiência por dados estatísticos, mas ela agora salta aos olhos pelas páginas da internet, que democratizou a comunicação. Pessoas que, por dever de ofício, deveriam produzir o melhor em textos resvalam para o lugar comum dos semialfabetizados. São escritos mal elaborados, confusos, cheios de erros gramaticais. Só não apresentam erros ortográficos, na mesma proporção, porque o moderno PC os corrige automaticamente. Mas, não é somente a internet a gritar contra esse estado de coisas, porque se se voltar a atenção para o ENEM, a surpresa é mais dolorosa. De todas as provas do ENEM, a de redação é pelos jovens considerada o maior bicho-papão e, no último ENEM, concorrido por cerca de quatro milhões de estudantes, somente 53 alcançaram a nota máxima em redação, contrapondo-se a quase 150 mil que zeraram a prova. O ideal deveria ser o inverso. Por que isso? Poderão dizer que é a má qualidade da escola. Nesse aspecto, qualidade da escola é o que menos influi. Saber escrever, de forma a ser entendido – aqui não se cobra produção literária – depende mais do aluno de que do professor. Explica-se: aprende-se a escrever, lendo, lendo muito, lendo bastante, e, isso o professor não pode fazer pelo aluno. Não ler, não estar ligado aos livros é próprio da cultura tupiniquim. Há gente que se gaba de não gostar, de não ler e de nunca ter tido um livro nas mãos para ler. Assim não é possível alguém dominar redação, cujo aprendizado depende muito mais da prática da leitura do que do conhecimento da gramática em teoria. A situação é crucial até para quem tenta produzir textos de qualidade, porque se substitui um verbo corriqueiro por sinônimo nem tão estranho, como “acreditar” por “crer” corre o risco de não ser entendido. Gente que lê pouco acostuma-se a ler “cachorro” e, lá um dia, ao se deparar com “cão”, pergunta: - que bicho esse? Em tempo de celulares, redes sociais e troca de mensagens cifradas, de acordo com o gasto de cada “tribo”, a tendência é piorar! O Homem desenvolveu os meios de comunicação mas, individualmente, está a perder o poder de se comunicar! Valha-nos Deus!

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