05 DE JUNHO DE 2020

Vereadores de Mariana discutem projeto de lei que visa à doação de imóvel a uma empresa da área têxtil


Mariana
06 de fevereiro de 2020


Por Michelle Borges

Imóvel está avaliado em R$8 milhões e a preocupação de alguns vereadores é a desvalorização do empresariado local. Investimento da empresa será de R$36 milhões

Na primeira reunião de vereadores de Mariana de 2020, ocorrida nesta segunda-feira (3), os parlamentares debateram diversos projetos importantes para a cidade. O que gerou mais discussão foi o projeto de lei (PL) 03/2020, que autoriza a doação de imóvel a uma empresa da área têxtil para instalação no município. O projeto entrou na casa no dia 29 de janeiro e devido ao prazo curto, alguns vereadores pediram mais esclarecimentos sobre o documento. Então, na manhã desta quarta-feira (5) aconteceu a Reunião Extraordinária da Comissão de Finanças, Legislação e Justiça com representantes da empresa, Multifiber

Participações e Investimentos Ltda., da Prefeitura, da Fundação Renova e Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Mariana (ACIAM).

A presidente da Comissão, Daniely Alves (PR), justificou a iniciativa. “Como foi a nossa primeira reunião após o recesso, nós achamos necessário ter um prazo para conhecermos o projeto e ele ser amplamente discutido. Nós sabemos do anseio do executivo e principalmente da população com a perspectiva de geração de emprego na cidade, mas esse é um compromisso dessa Casa para que possamos votar tranquilamente favorável ou contrário ao projeto”, explicou. 

O gerente da Mutifiber, José Célio Fonseca da Cunha, falou das atividades que a empresa irá desenvolver na cidade, caso o projeto seja aprovado. “Como a Multifiber já detêm a tecnologia e a expertise da industrialização têxtil, vai ter uma indústria de fabricação de tecido com cama, mesa, banho, uniforme, material cirúrgico. Paralelamente, vamos instalar duas unidades de processamento de serviços, que são lavanderias industriais que, inicialmente, estariam processando cinco toneladas de roupas por turno. O objetivo é atender o ramo hospitalar e hoteleiro também com locação e higienização das roupas”, pontuou.

Durante as falas na segunda e nesta quarta, os vereadores reforçaram que a maior preocupação é a falta de valorização do empresariado local. “Infelizmente na prática isso não acontece em Mariana, que foi palco da tragédia e até tem sido vitrine para outras cidades usufruírem de um dinheiro que deveria ser nosso. Nós não somos contra a vinda da empresa, nós temos conhecimento de como isso vai ser bom para a cidade, só que não podemos entregar apenas em uma discussão. Sabemos que é uma boa intenção, mas precisa de planejamento, uma análise profunda. É um terreno de R$8 milhões e nós temos aqui empresários que precisam de 1000m² para expandir seus negócios e contribuir com a cidade. O interesse primário aqui é o empresariado local, pois o que vemos hoje são empresas de fora sendo beneficiadas”, salientou o vereador Bruno Mól (MDB).

O investimento da empresa, segundo José Célio, será de R$36 milhões. Para explicar como será o empréstimo, Sara Laine de Castro, coordenadora do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) enfatizou que a doação do terreno é uma politica pública de atração de investimento de grande porte, que é utilizada como via de regra por diversos municípios. “Para que o banco libere um empréstimo, isso qualquer banco, a empresa precisa dar uma garantia, que seria o terreno, isso em primeiro grau. Ainda não foi definido o valor desse empréstimo, pois o projeto tem um cronograma de investimento e nós vamos analisar ainda a necessidade do crédito que a empresa precisa. O que quero ressaltar é que eu entendo quando vocês falam de fortalecer o empresariado local, o BDMG pode ser um parceiro nessa política. Mas quando uma empresa vem para a cidade, todo tecido empresariado local também é beneficiado”, destacou.

Paulo Lessa, Analista de Projetos Socioeconômicos da Fundação Renova, discorreu sobre a participação da instituição no investimento. “O impacto econômico será muito grande, por isso a gente defende isso para Mariana, pois é um marco. É a primeira empresa que tem a intenção de investir na cidade após a tragédia e é fora do ramo da mineração. É um momento histórico, que depende da aprovação de vocês, mas as negociações serão do município. Estamos dando um passo para novas oportunidades futuras”, inteirou.

Ao final o presidente da Câmara, Vereador Leitão (SD) deu uma sugestão para que o terreno do município não seja utilizado nas negociações. “Talvez, uma saída seja o repasse do terreno que a Renova passou para o município construir os predinhos (Bairro Cabanas) e seja utilizado para a instalação da empresa. Assim, não colocaríamos o terreno na prefeitura em risco”, sugeriu. O representante da Renova explicou que vai consultar o jurídico da empresa para ver a viabilidade, mas adiantou que não acha possível a compra do terreno para outra empresa. “Temos que ver o instrumento que pode ser feito isso. Nós temos que deixar claro que verba indenizatória é diferente de verba reparatória. Tem todo um procedimento e dependendo pode demorar até seis meses, pois o processo da Renova é moroso. Mas vamos estudar essa possibilidade”, concluiu.
Todas as sugestões da reunião, incluindo não só deste, mas de outros terrenos serão enviados para Renova e prefeitura. O projeto deve entrar em pauta na próxima reunião ordinária, na segunda-feira (10).

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