04 DE JUNHO DE 2020

A régua na política: centro, direita e esquerda


Desvendando a Política
13 de fevereiro de 2020


Por Adriano Cerqueira*

Os valores que um indivíduo faz uso na política podem ser ordenados em categorias, de acordo com o conceito utilizado. Uma das possibilidades de ordenamento refere-se ao papel que o indivíduo atribui às instituições políticas (estado), ao grau de liberdade para as interações econômicas (mercado) e à liberdade concedida para a ação individual em sociedade. Esse tipo de ordenamento propicia a diferenciação dos ideais políticos em uma escala (ou régua) que vai de um extremo à “direita” ao outro extremo à “esquerda”. No meio dessa régua existe a posição mais neutra, ou de “centro”.

O valor associado a cada um dos polos tende a ficar menos forte à medida que se vai ao outro, de tal modo que se pode falar que o grau máximo de posicionamento seja em torno dos extremos da escala. Assim, há a “extrema direita” bem como a “extrema esquerda”, e pertos do meio a “centro direita” e a “centro esquerda”. Logo, a escala pode ser identificada pelos seguintes termos: extrema esquerda; esquerda; centro esquerda; centro; centro direita; direita; extrema direita. Quando essa escala está bem balizada, fica mais fácil de se fazer a classificação das opções políticas nas quais se manifesta a maioria dos indivíduos em cada eleição ou evento político significativo.

A “direita” cultua a liberdade como seu valor máximo e o símbolo desse valor está na defesa da iniciativa privada, só tornada possível com a defesa de sua liberdade, garantida por instituições como a da propriedade privada. Por que a propriedade privada é tão fundamental para a liberdade individual? Porque ela assegura o domínio privado, a possibilidade de o indivíduo ter um espaço social onde poderá se manifestar livremente, seja na política, na economia, na religião e nos costumes.

A esquerda cultua a igualdade material como seu valor máximo e o símbolo desse valor está na defesa da distribuição igualitária dos recursos materiais. Essa distribuição igualitária só é tornada viável através da regulação de um poder político centralizado sobre o mercado econômico, o que pode incluir a própria noção de propriedade privada. Logo, o crescimento do aparato público-estatal é uma consequência lógica e desejada para o pensamento de esquerda, pois apenas no espaço público que se poderá alcançar a almejada igualdade material.

Porém, a defesa extrema desses valores leva à radicalização no posicionamento político. A “extrema direita” defende a possibilidade de um governo totalitário como meio para se garantir a defesa do princípio da liberdade, o que levanta um paradoxo: como defender um regime mais autoritário para garantir a liberdade? No caso, abre-se mão da liberdade política em prol da garantia da liberdade econômica e da propriedade privada.

Por outro lado, a “extrema esquerda” defende a possibilidade de um governo totalitário como meio para se garantir a defesa do princípio da igualdade material. Assim, o desejo de se alcançar uma sociedade mais igualitária leva à perda da liberdade política e econômica.

Já os indivíduos que se mantêm próximos ao centro têm como maior preocupação a manutenção da liberdade política e econômica, mas admitindo alguma perda. Quem aceita menos liberdade econômica, mas mantendo a liberdade política, vai se situar na centro esquerda. Quem aceita mais liberdade econômica e mantendo a liberdade política se situará na centro direita. Ou seja, nessa ampla faixa que vai da “centro direita” à “centro esquerda” reside o maior apoio à causa democrática nas modernas sociedades. Isso porque quem é de uma posição pura (“direita” ou “esquerda”) pode se associar, episodicamente, ao seu extremo. Todo cuidado deve ser tomado, portanto, contra os radicalismos.

*Cientista Político/ Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa/ Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG/ Professor de Administração Pública da UFOP 

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