04 DE JUNHO DE 2020

As perspectivas para 2020


Desvendando a Política
13 de fevereiro de 2020


Por Adriano Cerqueira*

2020 será um ano decisivo na política nacional, pois haverá eleições para prefeitos e vereadores em todo Brasil. As disputas municipais mobilizarão os partidos, os executivos federal, estadual e municipal e redefinirá a estrutura partidária. Será tão intensa essa mobilização que as iniciativas tanto do governo federal como das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para novas leis ou reformas deverão acontecer no primeiro semestre, pois o segundo semestre estará totalmente comprometido com as eleições municipais.

No plano federal, o governo Bolsonaro seguirá na dependência da boa atuação dos superministros Sérgio Moro (agenda da segurança pública) e Paulo Guedes (agenda econômica). Sérgio Moro é hoje o político mais influente e o mais bem avaliado pela população brasileira e sua presença no governo Bolsonaro reforça sua credibilidade perante a população. Os bons resultados obtidos pela sua pasta na queda generalizada dos crimes, em 2019, explicam em parte sua boa avaliação, pois a maior parte dela está na sua atuação contra a corrupção que se generalizou no país nos últimos anos. Deste modo, Bolsonaro terminou seu primeiro ano de mandato mais dependente de Sérgio Moro. Na economia, a agenda liberal conduzida por Paulo Guedes já está trazendo bons resultados, com sinais positivos de recuperação econômica (taxa baixa de juros, queda nos gastos públicos, inflação baixa, um milhão de empregos formais criados em 2019 e estimativas de crescimento do PIB). Logo, as agendas da segurança pública e da economia estão fortalecendo politicamente o governo Bolsonaro e desse modo ele deverá ter uma atuação muito relevante nas eleições municipais.

No plano estadual, o governado Romeu Zema terminou o ano com uma boa avaliação pelo eleitorado mineiro, que entendeu os esforços do governo mineiro para reconhecer e enfrentar a situação de falência das contas públicas de Minas Gerais. O fato de finalmente um governador ter assumido que o estado de Minas Gerais está “quebrado” financeiramente e que sua prioridade máxima está na recuperação das contas públicas, procurando assim pagar em dia e integralmente o funcionalismo do estado e fazer os repasses para as prefeituras é algo muito positivo e que deve ser reconhecido. Pelo menos a população compreendeu. Portanto, o governo Zema deverá manter o foco na recuperação financeira do estado, mesmo enfrentando uma Assembleia Estadual pouco amistosa para suas iniciativas. Assim, será um grande feito de Zema se ao final de seu mandato Minas Gerais estiver recuperada financeiramente e esse feito será reconhecido pelo eleitorado. Logo, ele deve persistir nessa linha de atuação e para que seu apoio político seja decisivo nas eleições municipais a economia mineira terá que mostrar sinais evidentes de recuperação, especialmente com a retomada do emprego para todo o estado. Em pesquisas que fiz em alguns municípios mineiros, no ano passado, ficou evidente que o desemprego é uma das principais preocupações dos eleitores.

No plano municipal o combate será entre a “velha” e a “nova” política, tal como foi em 2018 nas eleições presidencial e estadual. O eleitorado ainda está demonstrando vontade de investir em novas propostas, ainda está demonstrando insatisfação com velhas práticas e está com meios novos para se informar e discutir os assuntos de sua cidade. A “velha” política, com seus tradicionais métodos de comunicação e de mobilização política terá dificuldades táticas para se fazer melhor entendida para a totalidade do eleitorado. Os políticos que investirem também nos métodos da “nova” política, procurando as redes sociais e sabendo fazer um bom uso delas terá uma grande vantagem competitiva. O eleitorado está cobrando novas posturas, o que muitas vezes significa ver novos rostos. Assim, políticos tradicionais terão sérias dificuldades para mobilizar a maioria do eleitorado a seu favor, e isso ficará mais complicado caso eles queiram persistir nos velhos e tradicionais métodos de comunicação e de mobilização política. Ou seja, clima eleitoral de 2018 continuará acontecendo nas eleições de 2020.

Este ano será muito intenso politicamente, as redes sociais novamente espelharão o clima nervoso e combativo tal como aconteceu em 2018. A cada ano mais e mais brasileiros estão conversando, se conhecendo e se articulando pelos smartphones no que já é uma evidência de mudança significativa nos costumes sociais. A revolução digital finalmente alcançou a maioria da população brasileira. Os políticos que não estiverem atentos a essa revolução serão atropelados pelas mudanças no comportamento do eleitorado.

*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP

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