21 DE FEVEREIRO DE 2020

Moradores de Antônio Pereira surpreendidos com remoção preventiva de 28 famílias situadas próximas a Barragem


Ouro Preto
14 de fevereiro de 2020
Crédito: Glauciene Oliveria

A barragem de Doutor, que é de responsabilidade da empresa Vale, está em nível 1 (o mais baixo) de emergência

Por Glauciene Oliveira

Na última quarta-feira (12) os moradores do distrito Antônio Pereira, em Ouro Preto, foram pegos de surpresa com o anúncio da retirada de 28 famílias que estão próximas à Barragem Doutor, da Mina Timbopeba, localizada cerca de 40 km distante da sede. A estrutura é de responsabilidade da empresa Vale.

A notícia foi dada durante uma reunião realizada na comunidade pela Prefeitura de Ouro Preto. Porém, os moradores da localidade alegam não ter sido informados de maneira clara sobre o assunto do encontro e por isso, a participação não foi em massa. De acordo com uma das moradoras da Vila Samarco, localidade que também faz parte do distrito, Edilaine Melo, o convite para a reunião mencionava que a pauta era apenas sobre melhorias na estrutura do local, ainda segundo ela, os assuntos de barragem e retirada das famílias não foram citados antes. “Nós moradores ainda estamos muito preocupados, pois a gente nunca sabe até onde é verdade e ficamos muito assustados com a notícia. Como assim uma semana antes do carnaval surge esse alvoroço todo? Até então, nós já estávamos voltando a ter um pouco mais de tranquilidade e depois dessas últimas notícias ninguém dorme mais”, ressaltou preocupada.

Já na quinta-feira (13) foi realizada uma coletiva de imprensa, com o objetivo de informar os veículos de comunicação da região sobre a decisão. O evento contou com a participação do prefeito da cidade, Júlio Pimenta, do coordenador da Defesa Civil, Antônio Ramos, e de representantes da empresa Vale. A população também esteve presente, porém não teve direito de se pronunciar durante a reunião.

Durante o encontro, a gerente executiva do Complexo Mariana da Vale, Heloísa Oliveira, caracterizou a ação como uma “remoção preventiva planejada”, pois segundo ela, a Barragem Doutor está em nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). O nível 1 é o de mais baixo risco dos níveis, ao passo que o nível 3 é o mais alto deles. No protocolo de emergência, para o nível 1 não existe necessidade de evacuação de pessoas e não há risco iminente de rompimento. Em contrapartida, em setembro de 2019, a barragem foi reclassificada pela Agência Nacional de Mineração como uma estrutura à montante. “A partir dessa reclassificação passamos a seguir todos os protocolos necessários para resguardar a vida de todas as pessoas. Iremos executar tudo de uma forma tranquila, conversando com os moradores do local, sempre com muito respeito e carinho por essa comunidade que acolheu a Vale na década de 80”, destacou Oliveira.

De acordo com o prefeito, Júlio Pimenta, as famílias que serão realocadas são as que moram à jusante da barragem e às margens do Rio Tabuleiro, em Antônio Pereira. Segundo o governante, o intenso período chuvoso é um dos motivos da decisão. Ele acrescentou que os moradores serão encaminhados para hotéis da região e posteriormente, para moradias temporárias conforme suas escolhas. “Vamos alugar imóveis para que possamos colocar essas pessoas com segurança, tendo em vista que temos pela frente mais dois meses de período chuvoso. Essa é uma ação enérgica e corajosa, pois eu não quero ficar esperando que ocorra alguma fatalidade aqui, como aconteceu em outras cidades próximas. Vamos agir com responsabilidade para resguardar as vidas humanas, em Ouro Preto ninguém vai morrer”, ressaltou.

Ainda foi ressaltado que a sede municipal não corre qualquer risco, mesmo em caso de rompimento.

Desativação da barragem

Além do processo de retirada das famílias, a Prefeitura de Ouro Preto, a comunidade do distrito e o Ministério Público, estão negociando com a Vale o início imediato do processo de descomissionamento e descaracterização da barragem, estes dois procedimentos têm como objetivo a desativação por completo da estrutura, que já não recebe rejeitos desde março de 2019. As obras que serão realizadas também foram apontadas como motivo para remoção das pessoas.

Segundo o engenheiro responsável, Frank Pereira, o primeiro passo já teve início, que é a retirada da água de dentro da estrutura e a instalação de um sistema de bombeamento, para assim aumentar o fator de segurança no local. De acordo com Frank, em seguida será feita a construção de um vertedouro, em uma elevação mais baixa, para garantir que nenhuma água de chuva seja represada na estrutura. “Posteriormente, será construído também um aterro à jusante da barragem, para garantirmos, a longo prazo, que aquela estrutura geotécnica não terá risco de ruptura. As obras durarão cerca de 7 anos, tempo necessário para concluirmos por completo a desativação desta barragem, de forma segura e cuidadosa” afirmou.

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