08 DE AGOSTO DE 2020

Águas rolam e políticos enrolam


Ponto de Vista do Batista
17 de fevereiro de 2020


Por Nylton Gomes Batista

Os recentes acontecimentos, decorrentes de chuvas torrenciais ou continuadas por tempo considerável, dão-nos o que pensar e deveriam levar as autoridades a repensar a urbanização e administração da infraestrutura das cidades, notadamente as metrópoles, se se quiser evitar mais desastres, mais tragédias, mais sofrimento.

As mudanças deveriam começar pelo conceito atribuído aos efeitos negativos sofridos pelos humanos, em decorrência do comportamento da natureza. Tais efeitos são erroneamente denominados “desastres naturais”, “catástrofes naturais”, etc. Primeiramente, é preciso aprender que na natureza não há desastres, catástrofes ou tragédias. Tudo nela é fenômeno, fenômeno natural, não importa a intensidade da chuva, da seca, do vento, do frio ou calor, da neblina, do terremoto, da erupção vulcânica. Se alguém sofre prejuízos ou morre, em decorrência de tais fenômenos o desastre ou tragédia é puramente humano! Acontece em decorrência do comportamento humano em relação à natureza, querendo contrariá-la, domá-la ou controlá-la!

O Homem não está na Terra desde sua formação. Quando o ser humano surgiu, encontrou todos esses fenômenos, até em maior grau de intensidade, e, para sua sobrevivência, teve que se adaptar, vivendo em harmonia com a natureza. Pensou bobagem quando entendeu de domá-la, fazê-la funcionar de acordo com a sua vontade! O fenômeno da chuva ocorre, de forma regular em sua estação, mas volume e intensidade podem variar, de tempos em tempos, de forma cíclica, o que resulta em secas anormais e chuvas acima da média, como as ocorridas agora em determinadas partes do país Não estando a terra sob o brilho e calor do sol, a chuva é o fenômeno mais comum, em vários graus de intensidade. Quando ela cai, parte penetra no solo, outra parte evapora retornando à atmosfera e uma terceira parte corre sobre a superfície e vai engrossar os cursos d’água, os lagos e os oceanos.

Para que a água se infiltre no solo ou corra sobre a superfície, esta há que ser porosa, absorvente e livre de obstáculos de qualquer natureza, especialmente detritos que, levados pela correnteza, vão causar obstrução mais à frente. Não é o que acontece nas cidades, cuja pavimentação asfáltica impede a infiltração, onde as galerias de águas pluviais são insuficientes, o que se agrava com a grande quantidade de lixo e detritos lançada em áreas públicas. O resultado é alagamento por toda a cidade, levando medo, desespero, prejuízos e mortes por onde avança a água das enxurradas e do transbordamento de rios e córregos.

Da parte dos governos, nos três níveis, faltam prevenção, planejamento e administração de todos os serviços pertinentes ao escoamento de águas. Da parte da população faltam consciência cidadã, educação e espírito de cooperação, para evitar que as áreas públicas e os cursos d’água se encham de lixo. Quanto ao excesso de enxurradas nas ruas, passou da hora de se buscar substituto para o asfalto, de forma a permitir maior absorção das águas pluviais. Considere-se ainda que a pavimentação asfáltica é responsável por alguns graus de elevação da temperatura nas cidades. Outro tipo de pavimento poderia contribuir para o arrefecimento da temperatura ambiente. Com isso, o asfalto passaria a ser destinado unicamente às rodovias.

Em lugar de capear rios e córregos, o que constitui grave agressão à natureza, a administração pública deveria estudar a viabilidade de amplas galerias debaixo das vias à margem de rios, de forma a funcionar como espécie de “ladrão” quando o rio entrasse em fase de transbordamento. No período de estiagem, tais galerias seriam opções ao desafogo do trânsito na superfície. Matar-se-iam dois coelhos com uma só cacetada! Deve-se ajudar a natureza e não contrariá-la; no caso em foco, rio não deve ser aprisionado, porém receber ajuda para que siga o caminho até seu destino. A natureza agradeceria e população mais ainda!

Para não ficar somente em contenção de alagamentos e enchentes, considere-se também a necessidade de contenção do desperdício de água potável, valendo-se para isso da própria chuva. Note-se que isso também poderia contribuir para se evitar alagamentos. Quando possível, todas edificações deveriam ser dotadas de reservatório para o armazenamento de águas caídas dos telhados, por ocasião das chuvas, o que possibilitaria fazer limpeza de áreas e irrigação de jardins, reduzindo-se assim o consumo de água tratada da rede pública, destinada a fins mais nobres.

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