02 DE JULHO DE 2020

Pesquisa mapeou dificuldades das pequenas empresas da cidade causadas pela pandemia do COVID-19


Ouro Preto
13 de abril de 2020

Por Wendell Soares

A ACEOP realizou entre os dias 3 e 6 de abril uma pesquisa com micro e pequenas empresas de Ouro Preto com a finalidade de mapear o cenário econômico da cidade durante a quarentena. Conforme o Decreto 5665, de 22 de março de 2020 - e alinhado com o Decreto Estadual - apenas os serviços essenciais e aqueles que dão suporte a esses estão em funcionamento.

A pesquisa foi encaminhada e recebida pelo Poder público na data de 8 de março, que confirmou o estudo e possíveis medidas para minimizar o impacto da pandemia do COVID-19 no município.

Os questionários foram respondidos por 124 empresários dos mais diversos setores, sendo 85% dos questionários respondidos por empresas situadas na sede e 15% por empresas que se encontram nos distritos ouro-pretanos. O questionário foi aberto para empresas associadas e não-associadas.

Informamos ainda que os dados com os nomes das empresas seguem a confidencialidade das respostas, não sendo divulgado de forma individual em nenhum canal de comunicação.

Serviços essenciais foram majoritariamente representados na pesquisa

No cenário abrangido na pesquisa, cerca de 30% foram de empresas relacionadas à alimentação, prestação de serviços, farmácias e outros tidos como essenciais. Do total, 66% constituem empresas com um até 5 funcionários, sendo que a metade destas são categorizadas como MEI, com um único profissional responsável pelo negócio.

Para Paulo Raimundo, esses números explicam uma realidade atual. “A noção de empresa nos tempos atuais é ampla, e com o aumento na regularização do MEI, isso foi expandido. Por isso é tão importante considerar medidas rápidas e pontuais, já que muitos destes são profissionais autônomos que sobrevivem exclusivamente do seu próprio empreendimento”.

Além disso, o cenário econômico não tem apresentado melhor para pouco mais da metade dos entrevistados (55%) que consideram que os últimos dois anos pioraram a economia do seu segmento.

72% considera alto o risco de sobrevivência do seu negócio

Quase um terço dos entrevistados considera que a paralisação das últimas semanas colocou em risco a sobrevivência do seu negócio. Ainda que destes, 42% considere que irá conseguir superar o cenário, o número é preocupante.

Para Bethânia Brum, proprietária da Livraria São José e Conveniência, “o semestre já começou ruim devido o alto período de chuvas. Mesmo quem possui interação com clientes no mundo online o número de vendas caiu, seja pelo desconhecimento de uma parcela da população para lidar com compras e vendas pela internet, seja pela novidade. É importante cuidarmos da saúde da população neste momento, e justamente por isso, criarmos juntos ações que permitam que após a pandemia, esta mesma população não perca o emprego, não piore o cenário já preocupante”.

Segundo a pesquisa, foram aproximadamente 3 milhões que deixaram de ser movimentados entre as 124 empresas participantes em Ouro Preto e distritos. É importante reforçar que deste valor, a maior parte dos segmentos tem em seu capital de giro o pagamento de funcionários e compromissos com contas mensais e tributos.

Fornecedores, aluguéis e contas mensais são os primeiros compromissos não cumpridos

Devido a paralisação, várias empresas já confirmaram que tiveram compromissos adiados ou não cumpridos. Dentre eles, os primeiros suspensos foram, na ordem: Fornecedores (38%) aluguel e contas recorrentes (36% cada).

Ainda que todas as empresas envolvidas tenham cumprido integralmente o pagamento da folha de funcionários, é importante ressaltar que o regime de trabalho de boa parte sofreu alterações do modo de funcionamento drasticamente.

Isso se reflete quando apenas 17% declara que o funcionamento foi inalterado, especificando neste caso se tratar, sem exceção, dos serviços essenciais. Também merece atenção os 12% que fizeram rescisão de todos os funcionários e ainda 20% que reduziu o quadro de colaboradores.

Para Dalila Nazaré, proprietária da Xus Calçados, a alternativa das férias coletivas [decisão tomada por 26% das empresas pesquisadas] é apenas um paliativo. “Precisamos viabilizar de maneira responsável a reabertura do comércio para que possamos manter nossa região. Após o fim das férias o retorno é certo, e com isso vem as demissões se nada for feito. Como não há giro, o aluguel e impostos não param para o pequeno empresário e o risco de fecharmos as portas em definitivo é iminente”.

Redes sociais e delivery são as alternativas mais usadas pelas empresas

As alternativas utilizadas por boa parte das empresas entrevistadas é similar ao que acontece na maior parte do país. Contudo, apenas 27% declarou estar utilizando os serviços de delivery, enquanto 35% tenta realizar vendas através da internet.

É interessante notar que 32% não estão movimentando seu empreendimento dessa forma, seja por não estar no universo virtual, ou ainda por depender exclusivamente de um serviço presencial. Esse é o exemplo de Cláudia Santos, da Autoescola Santos, que afirma que "sua grande dificuldade é não poder ministrar nem as aulas teóricas, já seus serviços dependem exclusivamente do Detran. A quarentena precisa também servir para que a entrada das empresas no mundo online seja mais efetiva”.

“Todos estão na mesma tempestade, mas nem todos não possuem o mesmo barco”

Em relação ao isolamento social, quase 85% dos comerciantes entrevistados admitem que continuarão cumprindo o decreto municipal, ainda que destes, 30% informem que há flexibilidade nas medidas tomadas pelo poder público.

Para 15% dos entrevistados, há o interesse em retomar atividades - com as devidas precauções recomendadas pela OMS.

Paulo Raimundo reforça sobre esse ponto afirmando que a pesquisa está agora aguardando um retorno do Executivo municipal. Para ele “todos estão na mesma tempestade, mas nem todos possuem o mesmo barco. Por isso a urgência de medidas em conjunto neste momento. A ACEOP reafirma que sua orientação única é a de cumprimento do decreto e garante que seus associados a estão cumprindo em sua integralidade. Mas medidas econômicas municipais precisam ser criadas, já que cada cidade possui algo que a especifica diantes das outras”.

Sugestões empresariais e ações da ACEOP durante a quarentena

Dentre as sugestões levantadas no questionário, várias apontam para envolvimento coletivo de empresas durante a pandemia. Há propostas da criação de uma rede municipal de apoio a comerciantes, na busca da utilização de serviços e contratação de fornecedores por segmentos. Sobre esse assunto, Paulo reafirma a representatividade da ACEOP e elenca as medidas tomadas pela instituição até o momento. São elas:

  • Encontro com o poder público para decidir sobre adiamento de impostos.
  • Confecção gratuita de cartões de visitas virtual para associados.
  • Informação em tempo real sobre o cenário econômico durante a crise.
  • Orientações online com um advogado disponível para todos os associados.
  • Apoio à Converso Comunicação para criação de uma lista única de serviços de entrega na cidade
  • Divulgação em todas nossas plataformas sobre os serviços essenciais em funcionamento.
  • Doação para a Santa Casa de Ouro Preto, do valor arrecadado na venda dos convites do Mérito Empresarial

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