05 DE AGOSTO DE 2020

Em meio à pandemia


Artigos
04 de maio de 2020


Por Mauro Werkema*

Duas decisões complexas recaem sobre governadores e prefeitos: ou determinam a quarenta radical, com o recolhimento social rígido, ou a autorizam a flexibilização para o retorno das atividades urbanas, comércio, setor público, reuniões etc. Decisão difícil pelo risco que trazem: de um lado a flexibilização pode facilitar a contaminação do vírus, como advertem as autoridades da saúde, brasileiras e internacionais; de outro, é também justo que patrões e empregados pensem legitimamente em reabrir seus negócios, evitando desemprego, perda de salários e modos de sobrevivência. Os favoráveis ao recolhimento total e obrigatório afirmam que é o único procedimento, apensar das perdas sociais, que pode impedir o aumento dos atingidos pela epidemia, cuja curva de infectados e mortos é ascendente, como tem revelado as últimas estatísticas.

O conflito de opiniões divide até as autoridades deveriam ter posições mais concordantes com esta grave e urgente questão. De um lado, o próprio presidente da República transformou-se em arauto da abertura enquanto de outro o pensamento pode representar a morte de centenas de brasileiros, sobretudo das populações mais pobres e com menos informações sobre os cuidados para evitar contaminações. Os números dos últimos dias, nesta primeira semana de maio, certamente trarão elementos que podem reforçar uma das duas posições. Se a epidemia crescer com o número infectados e mortos, certamente ficara mais forte a posição pelo recolhimento social mais absoluto. 

É importante lembrar que os números da última semana de abril indicam um crescimento da curva de propagação do vírus. Mas também nos últimos dias assistimos a uma preocupante retomada de atividades, em desrespeito até as recomendações de uma liberação controlada. O receio de um novo pico de atingidos é que tem feito governadores e prefeitos a investir em hospitais de campanha, criação de novos UTI’s, aquisição de respiradores, mesmo quando os recursos são escassos. Mas não podem também descartar inteiramente a reivindicação de diversas entidades, empresários, comerciantes, prestadores de serviço, quanto à interrupção de suas atividades por tempo indeterminado, com imensos prejuízos e uma grande perda de empregos.

É possível admitir que uma liberação intermediária, não total ou absoluta, como se a epidemias estivesse terminado, pode ser admitida. Mas com radical observância de critérios, seleção de setores, medidas objetivas e rigorosas de afastamento entre pessoas, forte higiene pessoal, evitando aglomerações. Sabemos que é possível, mas também conhecemos o quanto é difícil sua plena aplicação plena entre as populações, quase sempre incontroláveis, numa natural e compreensível ânsia de voltar ao trabalho, obter receitas e pagar seus empregados. Enfim, não é decisão fácil e os critérios para opção não permitem encaminhamentos fáceis, de um lado e outro, com evidentes riscos.

A situação se agrave em cidades que vivem do setor terciário da economia, da prestação de serviços, como Ouro Preto e cidades históricas em geral, onde o turismo é o principal gerador de receitas públicas e empregos, mesmo os temporários. Além da preocupação com a epidemia e os riscos de sua propagação, são justos e também urgentes medidas que possam restabelecer algumas atividades econômicas e empresariais. A perda de receitas fiscais já é imensa e muito preocupante e levará a restrições orçamentárias por falta de recursos. Mas o desemprego, especialmente em comunidades carentes, onde impera o subemprego, constitui também justa preocupação. E as medidas de auxílio temporário, tipo cestas básicas, não podem se manter por tempo prolongado.

Uma ação conjunta, governos e todos os segmentos da sociedade, com visão realista e solidária, pode ajudar a encaminhar ações de maior amplitude e cooperação. Nos municípios cabe ao prefeito esta convocação, que certamente será atendida, criando-se uma espécie de ação solidária ampla e forte, compreendida e aceita por todos. Afinal, estamos todos nesta epidemia, suas crises e consequências, e é dever de todos participar, ajudar, colaborar, dentro de seus limites e responsabilidades. É o melhor caminho no momento. 

*Jornalista

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