05 DE AGOSTO DE 2020

Estamos todos no mesmo barco IX


Ponto de Vista do Batista
04 de maio de 2020


Por Nylton Gomes Batista

Hoje, 1º de maio de 2020, Dia do Trabalho, é um dia atípico, seja com relação ao calendário e estação climática, seja nas comemorações alusivas às atividades laborativas, sua relação com a macroeconomia e fonte de renda para o sustento de cada um. Lá fora há um belo céu azul de brigadeiro, muito sol, porém um frio que não corresponde à estação, em curso, fazendo crer que estamos em pleno inverno, final de junho ou princípio de julho. Pouco antes de o sol despontar, os termômetros marcavam nove graus, temperatura nunca esperada para o início de maio. Mas essa queda não foi repentina, pois o verão não foi lá essas coisas; bastando dizer que em quatorze de março a temperatura esteve a quatorze graus. Quanto ao Dia do Trabalho, o que se recomenda é que não se comemore, fique casa, o que nem sempre é possível para muitos, como medida de contenção do coronavirus, que se espalhou por todo o mundo, bagunçando a economia, isolando pessoas e países, além de eliminar milhares de vidas ao redor do planeta. Ao desemprego anterior à pandemia do coronavirus, causador da doença COVID-19, acrescente-se gigantesca legião de pessoas alijadas do mercado de trabalho, em consequência da crise econômica forçada pelo combate à mesma pandemia. Não só se reduzem os postos de trabalho, mas, o que é pior, fecham-se empresas, que poderiam recuperá-los. Aqui já foi dito que, praticamente em todos os sentidos, o mundo não mais será o mesmo depois da pandemia, a começar da economia, à qual se vincula o trabalho como fonte de renda e de sustento, que pode faltar. É bom frisar trabalho “como fonte renda e de sustento”, porque outros tipos de trabalho há que, além de não proporcionar renda e nunca faltar, muitas vezes, não são devidamente reconhecidos como, por exemplo: trabalho da dona de casa, trabalho voluntário, trabalho altruístico.

Acrescente-se ainda que trabalho não é somente aquele que faz barulho, exige esforço físico ou faz transpirar, pois há também o trabalho sem esforço físico, silencioso, que exige muita concentração e esforço mental. As primeiras mudanças relativas ao trabalho já se fazem notar com a transferência do escritório, da empresa para o domicílio do empregado onde, com menor risco de contágio, o trabalho passa a ser executado. A transitoriedade, alegada neste momento de isolamento social e quarentena, converter-se-á em permanente para grande parte de trabalhadores, livrando-os de uma série de inconvenientes; não mais terão que se deslocar de casa, enfrentar o trânsito ao volante ou dentro de coletivos, não se afastarão da família, com a qual farão suas refeições, e, terão reduzidas as ocasiões de eventuais atritos no ambiente de trabalho. Em consonância com a lei da compensação na área do trabalho, serão eles os grandes beneficiados pela pandemia, ficando evidente, mais uma vez, que o considerado mal, por uns e para uns, pode ser o bem para outros. Outro tanto de trabalhadores, depois de passar pela experiência do isolamento social, aproveitado esse período para pesquisas e detecção de oportunidades, oferecidas pela internet, poderão deixar o emprego formal e abraçar, definitivamente, o empreendedorismo digital. No lado empresarial, algumas das inovações, aqui sugeridas, na série “Exercícios de futurologia” poderão ganhar corpo, sobretudo no comércio. Um ponto nevrálgico nos negócios, de qualquer lojista é a gerência de seu estoque, que deve ser mantido num nível a garantir o produto na loja sem que, para isso, tenha capital empatado, naquele produto estocado, por muito tempo. Capital empatado em produto com baixa saída é capital faltante para ter outro produto à venda. Além da cessação das vendas e consequente quebra da renda, durante esta pandemia, o estoque é empate de capital, tremendamente necessário nesta emergência, que muito tempo levará para ser recuperado na volta à normalidade.  Mas essa normalidade não mais será como até então. Pouca coisa restará do conhecido e praticado, especialmente na área comercial, na qual alguns setores deverão, praticamente, ser reinventados.

Para quem já foi para a retaguarda, não mais tem compromissos forçados fora de casa, não curte ociosidade nas ruas e ocupa seu tempo com trabalho, até que a quarentena não faz muita diferença, com exceção daqueles que, por conta dela, passa a ter, ao lado, familiares estressados pela mesma situação. Os da retaguarda formam o maior grupo de risco, mas sob o comportamento já descrito estão mais protegidos que todos os demais.

O velho, aposentado, em casa, pode e deve superar estes momentos, desde que consciente da situação e não influenciado por mal informados. Contudo, mesmo entre eles pode haver aquele que se rebela contra a imposição, reclamando o direito de ir-e-vir à hora e como bem entender. É como aquele que não gosta e não come jiló, mas faltando o legume no mercado, brada aos céus pela oferta do jiló! Coisas da natureza humana! Para os forçados a se afastar do trabalho e ficar em casa a coisa é diferente. Não é fácil para ninguém deixar de trabalhar, por circunstâncias adversas à sua vontade, ficar retido dentro de casa e, para completar o quadro negativo, ter o orçamento doméstico comprometido por redução da renda. É necessário muito equilíbrio psicológico, nesses momentos, para suportar razoavelmente a situação e não influenciar, negativamente, demais membros do grupo familiar. O mais recomendável é que a pessoa se mantenha ocupada, se não com afazeres domésticos, atividades físicas, que leia, escreva ou se ocupe com algo como resolução de palavras cruzadas. Em forma passiva, o melhor é ouvir boa música. O menos recomendável é ver televisão, especialmente o noticiário. Embora se sinta agredido no direito de se movimentar, quem fica em casa pode se considerar um privilegiado, em comparação com aquele que continua a sair para o trabalho e, em razão disso, está mais exposto ao perigo, no transporte coletivo e toda vez que, em razão do trabalho, tem mais proximidade com outras pessoas. A pessoa com a qual se mantém contato pode estar contaminada e nem saber, mas a transmissão da doença pode se fazer, naquele momento de proximidade sem os devidos cuidados, de ambas as partes, como o toque de mãos e o não uso de máscara, por exemplo.

Uns podem se contagiar e escapar da doença, mas a transmitem a outros, que a desenvolvem com muita facilidade. No topo da ocasião de contágio estão profissionais da saúde, dos quais a circunstância exige o máximo, em trabalho de risco e nem sempre estão protegidos na mesma proporção. Cabe a eles o maior sacrifício, em trabalho e em nível de risco para si e para suas famílias que, mesmo isoladas em casa, podem ser contaminadas por médicos(as), enfermeiros(as) e outros, ao retorno do trabalho para casa. Como forma de diminuir esses riscos, muitos se hospedam longe de seus domicílios, gerando dissociação física do grupo familiar e consequente angústia; mais sofrimento agregado!

Ainda longe de ser plenamente dominada, a pandemia ainda poderá causar muito sofrimento, além da saúde e das perdas em vidas, em decorrência da drástica redução nas atividades econômicas, imposta pelo necessário distanciamento social. Milhões de pessoas, em todo o mundo, se juntam à parcela anteriormente já desempregada; milhares de pequenas empresas se fecham; negócios se reduzem. Governos são forçados ao gasto de seus recursos para minimizar o impacto social, que implica na simples sustentação alimentar de grandes parcelas da população, desvinculadas da cadeia produtiva regular.

Configura-se, para depois da pandemia, um novo mundo, no qual pouco restará da economia anterior à mesma e, paralelamente, poderão ser resgatados antigos valores humanos, desaparecidos por força da pressa e do foco no TER. 

Lamentável é que, no Brasil, enquanto a população sofre, de todas as formas, os efeitos do coronavirus, a política continua presa às antigas práticas dissociadas do coletivo nacional e voltadas à disputa partidária e interesses correlatos. Permita Deus que entre as transformações que o mundo aguarda para o pós-pandemia, ainda que mais à frente, esteja o banimento de todos os partidos políticos, permitindo assim a instauração da DEMOCRACIA ABERTA.

PARTIDOS POLÍTICOS JÁ FIZERAM MAL DEMAIS À HUMANIDADE!

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