03 DE JUNHO DE 2020

Primeiro caso de COVID-19 em Itabirito está em estado grave


Itabirito
06 de maio de 2020


O idoso de 76 anos está em coma induzido na Santa Casa da Misericórdia, em BH

Por Glauciene Oliveira 

De acordo com o Boletim Epidemiológico emitido pela Prefeitura de Itabirito na última quarta-feira (06) a cidade registrou o primeiro caso confirmado de coronavírus. Trata-se de um idoso de 76 anos, com diabetes. O resultado se deu a partir de um teste rápido, realizado na Santa Casa da Misericórdia, em Belo Horizonte.

A equipe de reportagem do Jornal O Liberal conversou com a filha do paciente e segundo ela o caso do seu pai é grave, pois ele está em coma induzido e precisou ser entubado com febre “altíssima”. Ela ainda destacou que a família está sendo julgada ao invés de receber apoio. “Somos apenas vítimas da irresponsabilidade que houve no caso dele”, disse. 

Histórico do caso

Em nota, a Prefeitura de Itabirito informou que o homem foi internado na UPA, no 24 de abril, após relatar que estava sentindo mal-estar e dor no peito desde o dia 22 de abril. “O eletrocardiograma e os exames de sangue mostraram infarto agudo do miocárdio, causando edema de pulmão e provocando falta de ar. No dia seguinte, o paciente necessitou de intubação e ventilação mecânica (respirador).”  No mesmo dia, foi colhido o swab para realizar o exame diagnóstico do coronavírus, porém o resultado foi negativo.

No dia 28 de abri, o paciente foi transferido para o "CTI COVID", no Hospital Santa Casa, em Belo Horizonte. “Pacientes com doenças diversas e que têm também falta de ar, mesmo por outras causas claras, como é o caso deste senhor que teve infarto, são admitidos nos leitos COVID”, informou a Prefeitura de Itabirito por meio da secretaria de saúde.

Na última terça-feira (06) a família do idoso foi informada, pelos médicos de Belo Horizonte, que ele teria apresentado resultado positivo para COVID-19, através de um teste rápido. “A Secretaria de Saúde de Itabirito ainda não tem o laudo desse exame. Essa informação foi dada por telefone. O resultado do PCR, teste mais confiável, colhido na UPA, foi negativo”, explicou em nota.

De acordo com o médico infectologista, Marcelo Campos, este caso permite três hipóteses distintas e que mesmo havendo discrepâncias entre os exames o caso deve ser tratado como positivo. “Estes fatos nos permitem três hipóteses, a primeira é que ele já saiu daqui de Itabirito com Covid, é uma hipótese que parece pouco provável, pois ele colheu o exame, que é o padrão ouro aqui, e deu negativo e ele tinha uma razão para explicar a falta de ar, que era o infarto. A segunda é que ele tenha se contaminado por estar junto a outros pacientes com Covid, numa ala de Covid. A terceira hipótese é que como é um teste rápido, possa ser um falso-positivo”, salientou.

O infectologista destacou que a equipe de saúde já está fazendo o mapeamento das pessoas que tiveram contato com o paciente. “Para efeito de proteção da família e contatos, é necessário considerar o resultado positivo, e aplicam-se as medidas como isolamento, coleta de swab e orientação sobre sintomas”, disse. 

Isolamento social e flexibilização do comércio

A Prefeitura de Itabirito, por meio do novo Decreto Municipal nº 13.155, publicado no dia 28 de abril, autorizou a reabertura do comércio da cidade. E em poucos dias a rotina começou a voltar ao normal e a movimentação de pessoas nas áreas centrais sofreu um aumento considerável.

Em nota, a Prefeitura afirmou que não há como relacionar o caso do idoso à flexibilização das medidas de isolamento social, já que os sintomas foram apresentados pelo paciente no dia 22 de abril, antes da determinação do retorno gradativo das atividades.

A equipe de reportagem do Jornal O Liberal percorreu as ruas de Itabirito e notou que ainda é possível encontrar pessoas que não estão seguindo as medidas de prevenção estabelecidas no decreto, como o uso de máscaras e o distanciamento social de dois metros. “Eu precisei sair para resolver um serviço urgente no banco e me assustei com o tanto de gente nas ruas, as pessoas estão sentando pertinho nos pontos de ônibus, conversando nas filas, frequentando bares. A maioria das pessoas estão agindo como se nada estivesse acontecendo. Eles estão achando que só porque liberou o comércio o vírus não vai chegar aqui”, destacou uma moradora que preferiu não se identificar.

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