06 DE JULHO DE 2020

As pesquisas eleitorais


Desvendando a Política
12 de junho de 2020


Por Adriano Cerqueira*

As pesquisas eleitorais são fundamentais no processo eleitoral pelo seu caráter informativo e estratégico.

A informação é assegurada pelo método científico que permite uma rápida e confiável investigação das preferências eleitorais da população. O método científico garante que seja feita a averiguação se a pesquisa foi feita de modo adequado, o que lhe garante confiabilidade.

Por outro lado, os candidatos podem usar as pesquisas para definirem estratégias de campanha, pois seus programas, os discursos, seu calendário de campanha, quais mídias vão usar, quais enfoques irão privilegiar, entre outras medidas são informações obtidas em uma bem feita pesquisa eleitoral. Logo, uma candidatura deve trabalhar sua comunicação política moderada por pesquisas eleitorais.

As pesquisas que testam o conhecimento que se tem do comportamento do eleitorado são chamadas de quantitativas. Elas são feitas entrevistando uma parcela aleatória da população, por meio de cálculo e de ponderação amostral. Através de cálculos estatísticos sobre características definidas como fundamentais da população (geralmente são usadas informações de sexo, faixa etária, renda e local de moradia) se faz uma redução ponderada da população que será entrevistada. Como exemplo, o eleitorado de um município com 100.000 eleitores pode ser reduzido a uma amostra de 400 entrevistados, definidos pelos parâmetros “intervalo de confiança” (no caso, de 95%) e “margem de erro” (no caso, de 5 pontos percentuais). Esses parâmetros podem variar conforme os objetivos da pesquisa, mas usualmente se altera a margem de erro (quanto menor for o valor da margem de erro, maior será o tamanho da amostra). Por exemplo, a mesma população de 100.000 eleitores pode ser reduzida a uma amostra de 2200 eleitores se a margem de erro for de 2 pontos percentuais.

A redução de uma população de milhares de pessoas a centenas sempre será motivo para que suspeições sejam levantadas quanto à confiabilidade das pesquisas eleitorais. Mas o estranhamento diminui quando você tem em consideração que as informações buscadas em uma pesquisa eleitoral são finitas para o conjunto da população. Por exemplo, geralmente os candidatos a prefeito são menos de dez que a população tem que escolher. Os mais relevantes problemas de um município raramente passam de dez, sendo que três são muito citados (desemprego, violência e saúde). Quando se pede para avaliar um governante as opções são cinco (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo). Logo, se 100 pessoas forem entrevistas, essas alternativas irão ser citadas por mais de uma pessoa, gerando uma “frequência”, que terá um somatório menor que se fossem 100.000 pessoas, por exemplo. Mas a proporção das escolhas tende a se tornar constante, viabilizando a pesquisa com amostra. O resultado, quando ela é bem feita, é confiável e a um baixíssimo custo de tempo e dinheiro, viabilizando as pesquisas.

Além da amostra, o questionário é um instrumento decisivo para que a pesquisa quantitativa seja bem conduzida. Quando bem feito, o questionário levanta informações objetivas e relevantes do eleitorado. Quais são os candidatos mais populares? Como está o grau de rejeição dos candidatos? Como está o índice de fidelização do eleitor a uma candidatura? Como está avaliação do governante? Quais são os principais problemas do município? Quais são os principais meios de informação utilizados pelo eleitorado? Como ele se informa sobre a política local? Essas e outras variáveis podem ser investigadas por meio de um bom instrumento de coleta de dados, chamado de “questionário”.

As pesquisas eleitorais decidem uma eleição? Eu costumo afirmar que uma plástica facial feita em um(a) candidato(a), ou uma pintura no cabelo, ou uma edição feita na foto oficial de campanha influenciam mais o voto do eleitor que a indicação de qual nome está em primeiro lugar em uma pesquisa. Brincadeiras à parte, o fato é que diversas eleições foram ganhas por candidatos que estavam em desvantagem em muitas pesquisas eleitorais publicadas. Quantas surpresas as últimas eleições não produziram? Isso acontece não porque as pesquisas estavam necessariamente erradas, mas porque os eleitores raramente escolhem seus candidatos porque eles estão na frente das pesquisas. Eles escolhem por diversas razões, e, às vezes, infelizmente, até vendem seu voto.

O eleitor pensa estrategicamente seu voto e por isso ele muitas vezes escolhe não comparecer às urnas, ou se decidir comparecer, poderá votar em branco ou votar nulo. Ou caso ele resolva comparecer e votar em um nome, pode ser que o fará não porque goste mais dessa candidatura, mas porque a desgosta menos. E, claro, às vezes ele vota na candidatura que gosta. As razões têm a ver com viabilidade eleitoral da candidatura, com as pessoas que a estão apoiando, com a rejeição que o eleitor tem do candidato, ou de seu partido, ou de uma liderança que apoia o candidato, pode ter a ver com a situação econômica vivida, entre outras motivações. Essas razões são captadas por boas análises amparadas em pesquisas eleitorais, e se uma candidatura consegue fazer uma adequada leitura da realidade revelada pelas pesquisas ela terá mais chances de sair vitoriosa no pleito.

*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP

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