08 DE AGOSTO DE 2020

Vendam ideias, mas não matem a língua


O Berro do Bode Zé
20 de julho de 2020


Finalmente, chegou ao fim a novela a envolver escolha do novo ministro da Educação. Espera-se do novo titular um trabalho de gigante, para colocar a Educação no patamar merecido pela atual e futuras gerações de brasileiros. O caso da linguagem, por exemplo, é um desastre; vamos de mal a pior no uso da Língua Portuguesa, se não bastasse a invasão de termos e expressões estrangeiras. A internet está tomada por textos mal escritos, em todos os sentidos. São erros grosseiros de ortografia, emprego equivocado de pronomes, uso de palavras fora do contexto e por aí vai. A internet mostra como está o ensino do Português no Brasil. Lamenta-se o conteúdo exposto, mas se lhe dá o desconto por ser a WEB o primeiro espaço completamente democrático, na área da comunicação, não se esperando dela nenhum virtuosismo literário. Mas, em se tratando de profissionais da comunicação, assim como instituições e corporações empresariais, há que ter mais cuidado, pois o que escrevem deve ser o exemplo do “bom” a ser seguido pela sociedade. Arrepia-se só de ver estampada a chamada “ARROZ E FEIJÃO ESTÁ MAIS CARO NA MESA DOS BRASILEIROS”, em matéria jornalística. Quem tem o mínimo de conhecimento de gramática entende que, neste caso, “arroz e feijão” pedem concordância no plural “estão mais caros”, diferente de ARROZ COM FEIJÃO ESTÁ MAIS CARO NA MESA DOS BRASILEIROS, pois “com” converte “arroz + feijão” em sujeito único. Em seguida, este caso local. Está a circular, entre a população, panfleto que chama a atenção para os serviços de determinada empresa. A empresa, pretendendo usar fórmula de chamada à porta de casa, usada no interior mineiro, diz: “OH, DE CASA!” – completamente equivocada a chamada, pois o “oh”, seguido de vírgula ou sinal de exclamação, é exclamativo, podendo também denotar surpresa. Nada a ver com “chamamento”, “invocação” ou “interpelação”, quando se quer a atenção de outrem voltada para si. A tradicional chamada à porta de casa é assim grafada: Ó de casa!  Esse “Ó”, sim, é um vocativo, justamente o requerido para se chamar a atenção de alguém! É sério, gente! Que se contrate profissional competente no uso do idioma. Assim não dá! Se mal arranhamos o Português, nossa língua-mãe, como podemos usar e abusar de palavras estrangeiras como “delivery”, “out”, fake news”, “off”, self-service”, “new look”, “home office”, “bike” e outras  mil papagaiadas? No mundo lusófono (falantes do Português) com algo em torno de 280 milhões de falantes, nós, brasileiros, somos cerca de 210 milhões; isso joga nas nossas costas a grande responsabilidade de usar bem e preservar a Língua Portuguesa. Portugal a criou; o Brasil a expandiu! 

Veja mais


O Berro do Bode Zé
04 de ago de 2020
Quousque tandem abutere, mercatur, patientia nostr...

O Berro do Bode Zé
29 de jul de 2020
Quousque tandem abutere, imperium, patientia nostr...












ITABIRITO
OURO PRETO
MARIANA
BRASIL
MUNDO
ARTIGOS
GALERIA
EDIÇÕES
SOBRE NÓS

 CONTATO
       

PARCEIROS