08 DE AGOSTO DE 2020

Santa Casa de Ouro Preto enfrenta falta de repasses de verbas e alta taxa de ocupação dos leitos para COVID-19


Ouro Preto
28 de julho de 2020
Provedor da Santa Casa, Marcelo Oliveira e Gerente Assistencial Leandro Moreira

Por Glauciene Oliveira 

Nesta segunda-feira (28) o Hospital Santa Casa da Misericórdia de Ouro Preto realizou uma coletiva de imprensa para falar sobre a taxa de ocupação dos leitos para tratamento exclusivo aos pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19. O hospital é responsável por atender toda a Região dos Inconfidentes, que abrange os municípios de Ouro Preto, Mariana e Itabirito, e nos últimos dias atingiu 100% de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e cerca de 80% dos leitos de isolamento. Mesmo sendo referência, a entidade está lidando com inúmeros problemas financeiros, devido a falta de repasses de verbas municipal, estadual e federal, desde o início da pandemia.

De acordo com o Provedor da Santa Casa, Marcelo Oliveira, o hospital possui um total 23 leitos de UTI, sendo 13 destinados aos pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19. Desses, dez são credenciados pelo SUS e os outros três foram implantados a cerca de 15 dias, através de um empréstimo de equipamentos pertencentes ao município de Mariana. “Cada um dos três municípios ficou responsável por um leito não credenciado. Então, quem tem gerência e financiamento sobre esses leitos é o Secretário de Saúde de cada cidade”, explicou.

Segundo a Nota Técnica Nº 134 emitida pela Prefeitura de Mariana nesta segunda-feira, a taxa de ocupação dos Leitos de UTI para COVID-19 atingiu 100% e dos leitos de isolamento, 68,75%.

O Gerente Assistencial Leandro Moreira afirmou que, atualmente, a direção do hospital não prevê a ampliação do número de leitos para COVID-19. “A grande dificuldade que nós temos hoje é que está acontecendo um aumento na necessidade de UTI para COVID-19, mas as demais condições continuam demandando. Então, os outros dez leitos já são reservados, por exemplo, para infarto, AVC e acidentes. Se a gente condiciona todos os leitos à ala de COVID, automaticamente estaremos fechando as portas da Unidade de Terapia Intensiva para as demais condições, que permanecem com demanda como antes do coronavírus”, salientou.

Leandro também esclareceu que para ocupar uma vaga nos leitos de UTI para COVID-19 é necessário um cadastro no SUS Fácil, órgão regulador do estado, que é responsável por gerenciar as vagas disponíveis em Minas Gerais. “A instituição de origem do paciente faz o cadastro, esse cadastro é regulado por Belo Horizonte e cai na nossa tela, se nós não tivermos a vaga o estado deixa de procurar na microrregião e começa a procurar em outros hospitais que têm potencial de vaga”, pontuou.

O gerente explicou também que o critério para ocupação dos leitos de UTI para COVID-19 é feito a partir do tempo de cadastro do paciente. “Verificamos qual paciente está aguardando há mais tempo e em seguida o médico entra em contato e discute sobre o caso. Atualmente, não existe limitação de idade”, esclareceu. 

Dificuldades financeiras

Marcelo e Leandro relataram que a Santa Casa está passando por um período crítico, devido à falta de repasse de verba do governo estadual e federal desde o início da pandemia. Além disso, segundo eles, uma das três prefeituras também não realizou os pagamentos, mas preferiram não revelar o nome da cidade que está em débito com o hospital. “A Santa Casa vive em um momento muito preocupante, pois assumimos 80 funcionários só para os leitos de UTI exclusivos de COVID-19 e no final do mês precisamos pagá-los e não temos o dinheiro. O governo federal prometeu pagar semana que vem e o estadual nem promessas tem”, salientou o provedor.

Segundos os profissionais, a diária de manutenção de cada leito de UTI custa R$2.050, totalizando então R$20.500 por dia. Se calculado os quatros meses de atraso nos repasses de verba a dívida total gira em torno de R$ 2 milhões.

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