18 DE JANEIRO DE 2019

Onde há acerto de Jair Bolsonaro


Carta aos Tempos
14 de dezembro de 2018


*Paulo Felipe Noronha

Entre as diversas dúvidas que surgem, muitas delas legítimas, acerca do governo de Jair Bolsonaro, um ponto precisa ser defendido como decisão correta que foi: as exigências em relação à manutenção dos médicos cubanos no programa brasileiro do “Mais Médicos” (salário integral, liberdade de permanência, liberdade para trazer familiares ao país).

Em primeiro plano, é preciso conceder que, de fato, as motivações de Bolsonaro para criticar o programa, historicamente, não foram sempre adequadas. Vídeo que circula nas redes sociais demonstram desconfiança, algo válida, mas espírito tacanho em relação aos profissionais cubanos. Mas esse é um problema menor.

Após surgimento de evidências de que o programa era um modo de financiar a ditadura cubana (como o foi feito via outros esquemas, envolvendo empreiteiras, para favorecer governos totalitários de países como a Venezuela, por exemplo) fica claro que o programa, desde sua incepção, independente de seus méritos, era criminoso. Sua extensão para o México, com os profissionais que saíram do Brasil seguindo para lá, apenas demonstra uma total ausência de valores da classe política, que insiste em instrumentalizar o ser humano como antigamente, trocando em miúdos, escraviza-lo.

É verdade que o fim do programa em seu modelo criminoso de até então provavelmente deixará áreas desassistidas. O novo edital lançado pelo governo teve alta adesão (mais de 20.000 inscritos e todas as vagas alocadas) mas até dia 7 passado, apenas um quarto das aproximadamente 8000 vagas oferecidas foram de fato preenchidas com profissionais já prestando os serviços médicos. Ainda assim, é um cenário menos assustador do que tentaram pintar até o momento.

Mas a questão principal é de hierarquia ética: por mais que seja algo compreensível o temor pelos brasileiros desassistidos, e que se saiba que muitas vezes os próprios cidadãos cubanos se conformam ou até abraçam sua condição (uma parte não aceita e tenta escapar) resta que a ditadura cubana trata o sujeito como mercadoria, de forma que não se encontram mais paralelos nas sociedades modernas e democráticas. Alegar que a formação que o estado cubano oferece é compensação o bastante soa absurdo, na medida em que o país caribenho limita o direito de emigração, impede-os de buscar alternativas para a prestação de seus serviços, e trata os familiares dos profissionais como reféns. Ainda que o médico cubano “concorde” com isso, é obrigação de cada cidadão e do estado brasileiro discordar frontalmente.

Igualmente importante é rechaçar qualquer ponto de vista contrário à constatação óbvia desse crime, com toda energia possível. É possível contemporizar e respeitar pontos de vista diversos, mas não em algo que atenta, de modo CONCRETO, contra a liberdade e dignidade humana. Como dito ao início do texto, em muitos pontos Jair Bolsonaro é passível de questionamentos e críticas, e até mesmo de repulsa. Esse não é um deles. De fato, o que é repulsivo é a defesa do programa Mais Médicos no modelo de até então.

Enfim, agora cabe ao governo brasileiro buscar uma solução para a questão, uma vez que a população mais pobre, espoliada que é, não pode nem vai compreender as implicações éticas das exigências feitas por Bolsonaro. Ao mesmo tempo, é preciso dizer que foi Cuba, e não Bolsonaro, o principal responsável pelo fim do programa. Desde 2013, a ditadura recolheu mais de 7 Bilhões de reais pelo programa ao longo dos anos, e qualquer dívida subjetiva que os médicos teriam pela formação recebida estaria paga com juros... Não que o conceito de pagar pela própria alforria fosse tornar a relação escravagista de Cuba com seus cidadãos menos reprovável.

*Jornalista e professor



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