17 DE JUNHO DE 2019

Empobrecimento da música


Ponto de Vista do Batista
01 de fevereiro de 2019


Há algum tempo já tratei do mesmo assunto ao qual retorno, por julgar pertinente, em razão da mediocridade em que mergulhou, creio que não só a nossa sociedade, porém toda a espécie humana. Pior é que a decadência está em processo, talvez ainda longe do ponto de retorno, a partir do qual nova ascensão se iniciará. Se a tecnologia permite avanços nos modos de fazer, produzir, economizar tempo, reduzir espaço e outros que tais do dia-a-dia humano, o outro lado de sua influência deixa o indivíduo letárgico ou incapaz de ser ele próprio, na condução dos acontecimentos, preferindo deixar tudo por conta do novo e em moda, em detrimento do mais aprazível, proporcionado por conhecimentos acumulados ao longo do tempo.

Antes da invenção do fonógrafo, o indivíduo criava e executava sua música quando dela necessitava - e ele sempre necessita – se não havia outro que a fizesse, ao gosto e no momento requerido. Como sempre se de disse, a necessidade faz o sapo pular. Na falta de recursos a prover a música, situação em que grande maioria se obrigava ao seu aprendizado, para a produção ou para a execução, poucos não foram compositores, dos quais uma ínfima percentagem atingiu o grau da suprema maestria que os celebrizou ao longo dos séculos. Na maioria dos casos, para ter música obrigava-se a ser músico, ainda que limitado à execução de um instrumento, razão pela qual novos instrumentos surgiam, à medida que novas composições os exigiam. Peças inspiradoras, mais sensibilidade auditiva, ampliavam as possibilidades de evolução da arte musical, num mundo em que, além da sua escrita representativa, o som somente era gravado pela memória humana! Uma execução musical só podia ser ouvida uma única vez, podendo a mesma música não ser ouvida da mesma forma em apresentações posteriores. A eletrônica deu uma reviravolta na situação, possibilitando a gravação de sons para a posteridade, o que passou a permitir aos ausentes, a audição da primeira audição do som por meio de gravação. Daí em diante, a música executada passou a ser guardada, assim como se guardavam escritos, mas isso fez reduzir o interesse pelo estudo da música. A verdade é que o grande salto promovido pela tecnologia que, primeiro, trouxe o fonógrafo, principiou o fim da era da sensibilidade, dos ouvidos afinados com os sons mais suaves, do equilíbrio entre ritmos e sons derivados da arte e os mesmos derivados da natureza.

Vive-se, no momento, o auge da mediocridade musical, reforçada por artifícios a tentar encobrir sua fraqueza, mas que a massacram ainda mais, enquanto agridem ouvidos renitentes à vulgaridade sonora. Já a entrar no período momesco, este é um bom período para comparar o que se produz hoje e o que se produziu no passado. Ao contrário do passado, quando a música carnavalesca era mais diversificada, envolvendo grande número de compositores e de cantores, hoje ela se concentra nos ditos sambas enredo para as escolas a desfilar na Sapucaí-Rio. Quem tiver condições que ouça as composições atuais e as de anos anteriores, retroagindo até uns dez anos. Que as compare, em seguida. As mesmas frases musicais são repetidas em quase todas elas. A arte dá lugar ao artificialismo!

Da rua e do samba, entremos na igreja e ouçamos seus cânticos e hinos. A exemplo da música popular mais comercial, a música dita religiosa é também “horizontal”, uma sucessão de notas próximas umas das outras, repetidas numa monotonia enervante; não mais melodias inspiradoras a conduzir o fiel à introspecção, à meditação, ao enlevo espiritual, um oásis em meio ao tumulto diário da vida humana moderna. Sua amplificação, na igreja, sem os cuidados requeridos, torna-a mais desagradável, até irritante. Contudo, o pior é que as igrejas antigas, do período colonial, dispensam qualquer amplificação.

O formato dos templos católicos daquela época, a disposição dos seus altares e todo aquele trabalho esculpido não são apenas religiosidade, como também não somente a arte barroca e a rococó. Como não havia recursos eletrônicos de amplificação e distribuição do som, toda a arquitetura religiosa era voltada para que tudo fosse ouvido de forma mais igual possível, em todo seu interior, dispensando-se, pois, toda a parafernália eletrônica, então inexistente e que agora, como já se disse, longe de ajudar, atrapalha. O pregador tinha o púlpito no lugar mais adequado, para ser ouvido por todos e a música era executada no coro, de onde se espalhava de forma igual. Não se conhecia a moderna engenharia do som ou áudio, mas os construtores de então dominavam técnicas que possibilitavam propagação e distribuição sonora, de acordo com as necessidades, no interior das construções. O que se pratica atualmente, em termos de música, nas igrejas é um retrocesso! Falta nas ladainhas uma rogação em sentido reverso: maldita ignorância, afastai-vos de nós!

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