17 DE JUNHO DE 2019

Tragédia humana


Ponto de Vista do Batista
08 de fevereiro de 2019


Com o mesmo título, acima, nas edições 1142/1143, este espaço foi dedicado ao rompimento da Barragem do Fundão, na localidade de Bento Rodrigues, distrito de Santa Rita Durão/Mariana. A mesma tragédia volta a repetir-se, apenas três anos depois, ainda frescas as memórias com relação ao acidente; ainda a sofrer, na carne e no espírito, as vítimas sobreviventes e famílias dos que se foram, banidos deste para o outro mundo, por força da lama traiçoeira.

Se em vinte e cinco de janeiro, último, no município de Brumadinho, foi menor o volume da avalanche e também menor a extensão da área alcançada, o número de vítimas fatais supera, em muito, o número dos que morreram, em consequência da tragédia de Bento Rodrigues, onde a densidade demográfica é menor. Se em Bento Rodrigues, uma das vinte vítimas não foi encontrada, em Brumadinho, número bem maior talvez fique perdido para sempre, debaixo dos rejeitos de mineração. Quem acompanha os fatos pós-tragédia, mesmo que de perto, não tem noção do que seja uma pessoa desabrigada ou desalojada, temporariamente, por forças de circunstâncias alheias à sua vontade; não sabe o que é perder um membro da família em circunstância tão trágica e, ainda para agravar, não saber onde encontrar o corpo, podendo também nunca encontrá-lo. Por outro lado, o não saber, o não conhecer o que vai no íntimo da vítima não impede o apoio solidário, em todos os sentidos, cabendo ainda ao apoiador um cuidado maior no trato com vítima transtornada; esta, geralmente, merece assistência psicológica especializada. É fato que as pessoas não reagem da mesma forma diante de tragédias dessa natureza, daí a atenção especial às vítimas que podem apresentar algum transtorno.

O que aqui foi dito, há três anos, com relação ao rompimento em Bento Rodrigues, serve para este momento: não dá e, talvez, nunca dê para somar todos os prejuízos, em todos os sentidos, razão pela qual, antes da discussão em torno da culpa e responsabilidades, há que cuidar das pessoas, das famílias atingidas, recuperar suas vidas; recuperação que, naturalmente, será na proporção inversa à velocidade da destruição. Não que não se deva apurar culpa e cobrar responsabilidades, se houver de quem cobrar, mas há prioridades que, em ocasiões similares passadas, em pontos diversos do país, foram sufocadas por veleidades e presunções na área da competência gerencial, o que sempre resulta em mais sofrimento, especialmente nas baixas camadas sociais. Há que reconhecer prioridade na atenção às vítimas, a começar das mais vulneráveis. De alguma forma e ainda que humilde, é pessoa humana a agente, a autora, a que produz. A obra pode ser importante, mas não mais que seu autor!

Ao levar tudo isso consideração, percebe-se, assim como aconteceu com relação a Bento Rodrigues, uma exacerbação fora de hora por parte da mídia, que se apressa em apontar causas e culpados, quando deveria se preocupar mais com as consequências imediatas, sobretudo as que afetam as pessoas, ainda que de forma indireta. Que se deixem as críticas mais ásperas para as próprias vítimas sobreviventes, as únicas com pleno direito de extravasar sua revolta, sua indignação, sua raiva, chegando a ultrapassar os limites da razão, em sua manifestação. Mas isso é parte da natureza humana e há que ter paciência e tolerância para com elas. Há que compreender que essas manifestações, consideradas exageradas, fazem parte do seu sofrimento, não sentido e não compreendido por outrem à sua volta. O mundo daquela pessoa explodiu-se! Momentaneamente, temporariamente, não existe!

Portanto, tumulto maior pode a mídia provocar no íntimo dos sobreviventes, quando concentra sua atenção em pesadas críticas e acusações, enquanto o sofrimento é intenso e passível de piorar sob estímulos externos. Tudo tem seu momento certo. Este é o das lágrimas, de um lado, e da solidariedade, do outro! Levantar, agora, conjecturas sobre o porquê da tragédia e externá-las pelos meios de comunicação não serve à causa do amparo às vítimas. O comportamento da mídia tem sido, conforme se diz no interior, “colocar o carro à frente dos bois”, numa pressa que nada ajuda. As verdadeiras causas da tragédia, por enquanto, são desconhecidas e, se culpados há, por enquanto, também não se sabe. Conjecturas são conclusões leigas com base na emoção, que podem ou não conter a verdade, por sua vez, só comprovada mediante profunda investigação a cargo de profissionais especializados. Algo bem diferente do que se supõe pode ter acontecido e, aí, para que terá servido o destempero da mídia?

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