05 DE JUNHO DE 2020

Conversando com os dedos


Amenidades
15 de fevereiro de 2019


Uma amiga querida ligou-me, cobrando a minha ausência em um encontro realizado por amigos em comum. Ela ficou chateada porque eu não fui e nem justifiquei.

Fiquei com o telefone no ouvido e cara de tacho, sem entender nada. “Eu não fui chamada”, justifiquei. “Nem estava sabendo”. Aí foi a vez dela estranhar: “mas eu te mandei mensagem”.

Pronto. Tudo esclarecido. Disse a ela que não tinha visto e ainda lembrei que eu sempre falo que quando tiver algum assunto importante é para telefonar, mandar recado, procurar-me pessoalmente, qualquer coisa fora de rede social, porque eu fico dias sem acessar. Uso internet sim, é claro, mas não fico ligada 24 horas por dia. Redes sociais, então, passo semanas sem entrar.

Nada contra, só não gosto de excessos. Vivemos um mundo em que as pessoas conversam com os dedos. Eu não. O mundo virtual deve ser um complemento do mundo real, e não o substituto dele. Como uma pessoa envia uma mensagem por whatsapp e já considera aquilo como fato consumado?

Mantive a calma e disse a ela que já havíamos conversado sobre isto (eu falo prá todo mundo) e ela acabou concordando. Ela mesma reconheceu que sabia a minha forma de pensar, mas que “tinha mandado o convite prá todo mundo e nem se tocou”. Como “todo mundo” se comunicou assim, senti-me literalmente fora do mundo, mas não foi um sentimento ruim, pelo contrário.

Minha amiga ficou bastante chateada, mas eu a tranqüilizei. Não me incomodou, não mesmo. Ela se desculpou, reiterando que havia se esquecido da minha forma de pensar, e eu falei, sinceramente, que estava tudo bem. Da próxima vez ela telefona ou manda recado com alguém, sei lá. Qualquer forma de contato onde a comunicação seja verbal. Sem querer ser chata, reconheço o valor da tecnologia, assim como reconheço que o mundo mudou, mas de algumas coisas não abro mão.

Significa que não me comunico por mensagens? Claro que não. Que sou contra conversas por redes sociais? Também não, é lógico. Inclusive uso bastante, só não faço uso freqüente. Posso entrar vários dias seguidos ou ficar vários dias seguidos sem nem olhar o celular. Depende de uma série de fatores. O que não dou conta é de transformar o whatsapp, ou instagram, ou twitter, ou quantos mais existam, em uma obrigatoriedade. Uso sim, e reconheço o seu valor, mas com parcimônia. Eu converso com os lábios, não com os dedos.

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