25 DE MAIO DE 2019

Insólito surpreendente


Ponto de Vista do Batista
22 de fevereiro de 2019


Por um momento, falemos de bichos; de bichos mais próximos de nossas vidas, que nos acompanham atentos aos nossos movimentos, que nos entendem e quase leem o que pensamos. Quase leem, mas se lessem, de fato, é quase certo que continuariam leais. Eles não sairiam, por aí, a urdir mentiras, espalhar fofocas, desconstruir a vida de outrem, substituindo-a diante do público por falsa imagem. Bichos são amigos, de fato, e não por conveniências; não fingem ser o que não são.

Eu cria ter amigos entre humanos, hoje não tenho certeza, exceto que sou amigo de todos, pois não guardo ódio, raiva ou rancor e a ninguém faço, voluntariamente, qualquer mal, nem por represália, nem por vingança. Só não deixo deslealdade, desaforo e agressão sem resposta, dentro da legalidade, bem entendido! Ah! isso não! Contudo, sou feliz e dou graças a Deus! Mas, vamos aos bichos.

Temos em casa, sob nossa guarda, uma cadela, labrador, cor chocolate, cerca de cinquenta quilos; uma gatinha, muito meiga e manhosa; e uma cocota (maritaca) que, entre outras façanhas, canta “atirei-o-pau-no-gato” e “atropela” mediante assovio os primeiros compassos do Hino Nacional Brasileiro, ao ver chuva. De sol ela não quer saber; nem parece ave tropical! As duas primeiras ganhei de presente, e, quanto à “cocota”, esta encontrou-me na rua. Não se sabe de onde, veio pelo ar e pousou à minha frente, na calçada. Da calçada pulou para minha mão, subiu para o ombro e nos adotou como seus “donos”. Esclarece-se que ela vive solta, tendo a gaiola apenas para dormir.

Quem me conhece, mais de perto ou que costuma estar na estação rodoviária, antes de o sol nascer, sabe que sou caminhante da madrugada, a partir das 5 horas (não acompanho horário de verão), e levo a “Brisa” (a cadela) como companhia. Falto apenas nas manhãs chuvosas porque, se a “Brisa” não se incomoda com chuva, eu me incomodo e muito. Molhar-me, só debaixo do chuveiro! Ao retorno, sempre atravesso o complexo Praça do Artesão/Estação Rodoviária, ocasião em que encontramos outros cães a perambular, além de umA gatinha, invariavelmente, postada diante de uma loja de artesanato. Faço questão de parar e lhe fazer uns afagos, pois os gatos gostam de carinho. A cadela fica a olhar, bastante tranquila como é próprio da raça, mesmo porque combina bem com gatos, pois tem a companhia da “Mimi”, a gata da casa. Certa manhã destas últimas, aproximei-me da gatinha, postada num jirau, para lhe fazer agrados. Enquanto isso, senti que a “Brisa” estava um tanto inquieta, tentando arrastar-me para a direita. Ao voltar para aquela direção, percebi que seu interesse estava sobre a dona da loja, sentada à sua frente. Cão da raça labrador é muito sociável, gosta de brincar e está sempre receptivo a quem lhe dá atenção. Deixei a gata e me aproximei da senhora, cuidando de manter razoável distância, para impedir que a cadela a incomodasse. Foi quando me surpreendi com tremendo bulício à minha frente: a pequena e frágil gata, tomada de fúria como se onça fosse, saltou sobre a “Brisa” e não a teria largado se não fosse a pronta intervenção da senhora. Esta, também assustada, cuidou de afastar a pequena felina que, mesmo assim, repetiu a investida por mais duas vezes. Foram três ataques sucessivos.

Quem imaginaria tal cena? Além de outros predicados negativos e injustos (“nojento”, “traiçoeiro”, etc.), ouve-se, a todo momento, que gato não se liga ao “dono”, mas à casa onde mora. A gata aqui referida “não se liga ao dono”, mas atacou cadela, gigante em comparação com ela própria, porque em seu entendimento felino e irracional sua “dona” corria sério risco. E se estivesse ligada, o que teria feito? É preciso aprender que gato só não se liga ao “dono”, quando este não lhe dá atenção, tão necessária como a comida; ou o maltrata, no extravasamento de raiva preconceituosa. O preconceito contra o gato tem origem no fato ele ser livre; não tem que trabalhar, anda por onde quer, faz o que quer e quando quer. Não aceita imposições! O ser humano pensa ser ou quer ser, mas não é! Está preso a uma série de convenções e conveniências. A valente gatinha, ao contrário do que dizem “especialistas” humanos, entendeu de defender quem lhe dá amparo e carinho. Sabe-se que recentemente, tendo ela perdido filhotes ainda dentro da barriga, recebeu os devidos cuidados veterinários, incluindo-se internação hospitalar e cirurgia, para que também ela não morresse.

Está aí um exemplo prático e convincente para os que, de boa vontade, podem mudar sua opinião sobre os bichanos. Ao mesmo tempo, o incidente serve para ilustrar diferenças de atitude entre seres humanos e seres ditos “irracionais” com relação ao ambiente, que os cerca. Os primeiros vendem a alma ao diabo, para apenas satisfazer sua vaidade ou sede de maldade contra o semelhante mais próximo. Em contrapartida, os segundos podem chegar ao sacrifício, numa afirmação de sua lealdade!

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