22 DE MAIO DE 2019

Sou gente, não um saco de batatas!


Ponto de Vista do Batista
29 de março de 2019


Estamos no terceiro mês do ano e já vimos, ou sofremos, quatro tragédias a comover o país. Em todas, o forte foi a perda de vidas humanas; nas três primeiras, em consequência de negligências, omissões ou falhas humanas. Na quarta, entretanto, pesa o fato de ter sido, conforme primeiras apurações, metodicamente estudada, preparada e executada para atingir, mortalmente, o maior número de vítimas entre semelhantes. O fato de ter sido numa escola, tendo por alvo adolescentes, jovens ainda não ingressos no jogo mais avançado da vida, agravou o choque além das cenas de crueldade, das quais nem todos os garotos e garotas conseguiram escapar incólumes.

Antes que fosse levantada a hipótese de ato terrorista, palpite que este velho escriba teve com base no fato de ter sido mais de um agente, mas não propalou antes que isso fosse feito pela polícia, falou-se em “bullying” como causa. É a velha mania de buscar explicação para tudo, em causas externas sem que, nem longe, se desconfie do que vai no próprio interior. E o “bullying” não é coisa nova, como tentam fazer parecer a tantos que acreditam em tudo que ouvem! Como sempre se disse entre cachoeirenses: o problema é mais velho que a serra da “Mãe Engrácia”. Só o nome é novo, buscado lá fora, em língua estranha, para não fugir a velha mania tupiniquim de supervalorizar o alienígena, em detrimento do que é nativo. O tal “bullying” nada mais é que chacota, zombaria, ridicularização, escárnio, gozação e outros termos com sentido semelhante que, diante da necessidade de causar impressão e merecer combate, é trocado por uma palavra estrangeira. Ouvir que o “Zezinho foi vítima de chacota na scola” não causa impressão, mas o “Zezinho foi vítima de ‘bullying’ na escola” joga o mundo no chão!

O “bullying” é, como sempre foi, fenômeno social tão comum, na fase infanto-juvenil, como o choro o é na primeira infância! Quem o pratica e quem o sofre estão em todas as camadas, não sendo exclusividade de qualquer grupo social. Qualquer característica individual pode servir como alvo de chacotas por parte de um grupo, sobressaindo-se como vítima o “patinho feio”, aquele indivíduo destoante do grupo, ainda que de forma positiva. Mas, nada disso, necessariamente, vai influenciar qualquer pessoa, levando-a à marginalidade e prática de crimes. Se assim fosse, muita gente séria, ordeira e honesta, que conheço, estaria entre as celebridades do crime. Não sei de ninguém com essa mácula! Em todo o período escolar, fui “patinho feio”, alvo preferido de brincadeiras de mau gosto, chacotas e humilhações. Minha compleição física não colaborava para que eu fosse mais igual aos iguais, bastando citar que fui descartado pelo serviço militar, aos 20 anos, pois pesava apenas 44 quilos. Contudo, tinha à minha retaguarda alguém a dizer: “não considere o que lhe falam ou fazem, com o propósito de ridicularizar”; “seja você mesmo, aconteça o que acontecer”; “o mais importante é o que você pensa; por isso, pense coisas boas”. Era a mamãe (lamentavelmente, os filhos não mais se referem aos pais nos termos “papai” e “mamãe”) a neutralizar possíveis consequências negativas em meu espírito. Em sua simplicidade, mais por intuição que por formação, creio eu, elevava minha autoestima, ao invés de induzir-me à reação, ao confronto com os “agressores”. Dessa forma, fisicamente vulnerável, porém interiormente escudado em vontade de superar barreiras, sou o que sou hoje. Graças a Deus, até a saúde, no geral, é melhor do que foi na infância e juventude!

Ao longo da vida, até o momento, aprendi que somos o que pensamos e o que queremos. O que terceiros falam de nós, só nos afeta, se quisermos. Portanto, o tal “bullying” (incomoda-me ter que usar tal palavra) nada representa a não ser para seus praticantes. Ele merece e deve ser combatido, porém o método utilizado, de acordo com o que penso, é incorreto. Coibição, repressão ou qualquer atitude contra o praticante, longe de impedi-lo, estimula-o a prosseguir na prática. É como o caso do praticante de trote telefônico. Ele quer ouvir os xingamentos da vítima; se esta não reage, ele perde o estímulo e cessa a prática contra aquele destinatário. Por isso, penso que a melhor forma de combater o problema é a educação, o preparo da criança, desde seus primeiros passos, para conviver com o problema, sem qualquer reação ou trauma. Dessa forma e dentro do processo de educação, a prática do “bullying” estará sendo coibida no subconsciente daqueles com tendência a ela. Diante da prática do “bullying” há que estar consciente: sou gente, não um saco de batatas!

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