21 DE JULHO DE 2019

Audiência pública em Itabirito discute situação das barragens de Forquilha I e III


Itabirito
05 de abril de 2019
Fotos de Michelle Borges

As barragens tiveram nível de risco de rompimento alterado de 2 para 3. Em caso de rompimento, Itabirito teria parte da cidade inundada

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) promoveu na noite da quarta-feira (4) uma audiência pública em Itabirito, com o objetivo de informar e discutir a situação das barragens de Forquilha I e III, localizadas no distrito de Miguel Burnier, em Ouro Preto. Em caso de rompimento das barragens, Itabirito seria atingida em no máximo duas horas, tendo parte da cidade inundada.

O encontro aconteceu no antigo espaço da Delphi, e esclareceu algumas dúvidas dos moradores, que estão assustados com a situação, depois que o risco de rompimento das barragens passou para o nível 3, risco considerado iminente. O Promotor André Sperling, da coordenadoria de inclusão e mobilização social do Ministério Público de Minas Gerais, ressaltou que a reunião foi para mostrar os trabalhos que o MPMG vem desenvolvendo sobre o assunto e também como a comunidade pode se organizar para fazer suas reivindicações. “Nós passamos para a população a necessidade de se formar uma comissão de atingidos, pois todos estão sendo atingidos por esse risco e com medo”, pontuou o promotor.

A indicação do MPMG é que a comunidade forme uma assessoria técnica, que é uma entidade escolhida pela própria população. “Nós entendemos que esse é um caminho inicial para a sociedade de Itabirito e todas as cidades atingidas pelas sirenes, e pelo risco de rompimento, poderem se organizar, levantar suas demandas de forma concreta e para enfrentar o poderio da Vale, que é muito grande. A comunidade tem que estar unida, sem a preocupação de questões políticas ou pessoais. Nós temos que estar unidos para fazer frente a essa empresa, que é tão grande e tão forte”, reforçou Sperling.

O promotor destacou que a assessoria técnica deve trabalhar em função da população, mas deve ser paga pela Vale com mecanismos que impeçam a mineradora de influenciar as pessoas. Ele citou como exemplo o que tem sido realizado com os moradores de Brumadinho e a diferença que foi em Mariana, com a fundação Renova. “Em Mariana a gente teve um problema muito sério, que foi a Fundão Renova, constituída para reparar os danos. Ela tem no seu Conselho Curador pessoas indicadas pela Vale e BHP Billiton, ou seja, as causadoras do dano é que controlam o processo de reparação. Nó entendemos que esse processo está errado. Quem tem que controlar isso são os próprios atingido, a própria comunidade. Em Brumadinho, a gente já está adotando um modelo diferente e queremos estender esse modelo para todas as cidades atingidas pela mineração”, reforçou.

Os participantes da audiência puderam fazer perguntas aos representantes do MP. Antônio Senem da Cruz, morador que está dentro da área que pode ser atingida, disse que espera participação de toda comunidade. “As pessoas que vieram aqui, a gente pode ver que são pessoas com um nível educacional diferenciado. Tem muito empresário aqui. Se o povo não se unir, se a população não trabalhar junto para pensar numa solução, por mais que o MP tenha poder e queira trabalhar, ele não vai conseguir. Que todos saiam do conforto de suas casas para discutir e participar das propostas”, destacou, engajado.

Como resultado da audiência, na próxima terça-feira (9), acontecerá mais uma reunião para montar comissão de assessoria técnica com os moradores e também fazer um levantamento dos impactos que já atingem a população. O encontro será às 18h, na Escola Estadual Engenheiro Queiroz Júnior.

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