25 DE MAIO DE 2019

Dos Anjos


Expressão
24 de agosto de 2018


Era sexta. Mais uma sexta. Subia a Bernardo Vasconcelos em direção a Praça Tiradentes. Ouvia-se um som peculiar. Uma típica seleção musical vinda de uma ateliê especial à esquerda, bem em frente a Castelo dos Nobres. Ouropretanamente único.

Nas paredes, casarões coloridos e caóticos, ferros retorcidos. Um balcão com artefatos de ferreiro. Mandalas. Jornais. Discos. Sons. Copos e garrafas de cerveja. “Mais uma Bartin”... Mais uma noite em que o Barroco nos esperava na Direita. Kaju! Kaju!”. Mas antes, talvez mais uma ao som selecionado do Antônio... E a saideira (rsrsrs)...

Dos Anjos resume o bairro homônimo que abriga relíquias e religiosidades. Artistas singulares, energias singulares. Antônio é ouro preto como o preto ouro dessa terra. Virou seu nome agora. Para sempre um anjo. Dá-nos agora o ar da graça em outros carnavais, em outros ares e poesias...

Por falar nisso, deixo na íntegra os três poemas que Antônio dos Anjos nos deixou, postado nos idos de 2009.

Antes gostaria de registrar que Antônio foi um dos amigos que cultivei em Outro Planeta, sendo fundamental em minha acolhida nos primeiros dias perdidos nesta cidade de pedra. Encontrei uma alma amiga e sincera e que nos deixa sua arte e saudade, além da loucura breve e eternidade guardados em cada um de seus poemas...

Vá em paz Toninho! Abaixo, os poemas de Antônio dos Anjos:

Tavez o amor

hoje de manhã

me vi sorrindo

à toa, de graça

que graça!

talvez

sejam desejos

talvez medo

talvez o sol

que me acordou

talvez o amor

que nem me deixou dormir

talvez até

pelo fato de eu existir

eu tenho sorrido

existo

resisto

amo

e insisto em sorrir...

 

Esconderijos

o que me deprime

é um muro alto

a esconder jardins

são nuvens pesadas

a esconder a lua cheia

são passos na areia

são os olhos no nada

o que me deprime

é ter-se tão pouco

saber-se tão perto

querer-te tão dentro

e ter-me tão quieto

tão mudo

tão triste...

 

Anjos

no princípio não havia nada

nem anjos bons

nem anjos maus

nem asas

nem vento

havia minto, um sol imenso

iluminando as estrelas do universo

num dado momento

se dividiram

em claro e escuro

formou-se a bruma

ergueu-se o muro

o claro e o escuro

e os anjos vieram

saídos não sei de onde

anjos de asas negras

e olhos em chamas

e anjos envoltos em lua

maestros da paz

e da boa ventura

dividiram-se os mundos

separou-se o inseparável

ergueu-se o insustentável

e foi o começo de tudo...

 

Visite: antoniodosanjosouropreto.blogspot.com

 

 

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